Bernardo apenas murmurou um "hum" sem grande interesse.
Logo em seguida, sem deixar rastros de grosseria, ele afastou a mão de Adelina e caminhou com serenidade em direção ao quarto.
Ao ver a rejeição, Adelina quase engasgou de raiva.
Ainda assim, não falou nada, apenas o seguindo silenciosamente.
O médico havia acabado de examinar o menino e caminhou na direção deles.
— Sr. Pereira, eu aconselho levarmos para o hospital. — O médico foi direto ao ponto. — A saúde do pequeno senhor não é como a das outras crianças. A febre misturada com as crises de asma pode despertar vários problemas perigosos.
Bernardo apenas concordou com um aceno, sem hesitar. Imediatamente organizou tudo para mandar Caio para o hospital.
Ele nem sequer chegou a fazer a pergunta a Adelina.
Sabia muito bem que ela se recusaria a ir.
O motivo seria a mesma ladainha de sempre: não gostava do cheiro de hospital.
Ele não forçou a situação.
Bernardo acompanhou Caio pessoalmente.
Embora não fosse extremamente familiarizado com os hospitais em Luzia do Mar, ele tinha os contatos e a influência necessários para garantir tudo do bom e do melhor.
Assim que o veículo de luxo parou, a junta médica já os aguardava de prontidão.
O doutor logo transportou Caio para a sala de exames avançados.
O médico da família seguiu as macas.
Bernardo aguardava nos corredores, pensativo.
Inesperadamente, uma menininha com bochechas rosadas e macias como algodão apareceu na sua frente.
O cabelo curto dela estava preso em dois pequenos coques adoráveis, e seus olhos gigantescos e brilhantes piscavam sem parar.
— Me desculpe... — Noelia Colombo pediu perdão assim que bateu sem querer na perna de Bernardo.
Ela não se sentia nada bem.
Não encontrar Cora a deixava terrivelmente frustrada e triste.
Lembrou que havia escutado Cora dizendo no telefone que estava a caminho.
Sendo assim, Noelia foi tomada pela ansiedade.
A ideia brilhante da menina foi ir correndo esperar a chegada de Cora logo na entrada.
Com a pressa, e os olhinhos focados no horizonte, acabou colidindo com uma muralha humana.
A perna do "acidente" era extremamente dura, e o nariz pequeno da garotinha bateu nela, doendo demais.
Quando a dor aguda apareceu, ela se sentiu muito injustiçada e os olhos rapidamente se encheram de lágrimas tristes.
Na fração de segundo seguinte, o choro invadiria os corredores limpos e brancos.
Quando Bernardo abaixou o olhar e deparou-se com a criança minúscula, todo o seu corpo travou no lugar.
— Eu fiquei dodói. Era só um resfriado, mas a mamãe teimou que eu tinha que vir para o hospital.
Bernardo não conseguiu controlar o sorriso.
— A sua mamãe só se preocupa bastante com você.
Noelia deu um suspiro e grunhiu baixinho, expressando sua compreensão, apesar de contrariada.
— E como é que você escapou e veio parar aqui fora sozinha? Não tem medo de deixar a sua mamãe apavorada? — A voz do temido executivo e frio patriarca soava amena e sedosa.
Bernardo não sabia se era pela magia inocente da garotinha que o fazia falar num tom absurdamente baixo e brando.
— Ah, é que eu vim procurar a minha irmã! — a menina balbuciou de forma resmungona e cheia de charme.
Bernardo paralisou por completo.
— A sua irmã? E você conseguiu achar ela?
Antes que ele recebesse qualquer resposta oral, notou a menininha erguer os bracinhos roliços e balançá-los de um lado para o outro.
— Cora, eu tô aqui! — A empolgação na vozinha aguda de Noelia exalava urgência.
O som de duas sílabas mergulhou o coração de Bernardo no vácuo mais gelado que ele já sentira na vida.
Faziam anos desde a última vez em que aquele apelido cortara a sua audição.
Cora.
Ele também possuía no cofre das memórias intocáveis uma mulher inesquecível chamada Cora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....