Os dedos de Adelina ainda se agarravam à manga da camisa dele, lutando silenciosamente contra aquela partida.
— Solte, Adelina. Seja uma boa menina. — O timbre de Bernardo não admitia contestações.
Só então ela afrouxou o aperto, apavorada demais para desafiar um Bernardo com aquela expressão tempestuosa.
Sem hesitar, ele marchou para fora do apartamento, enfiou-se no carro e pisou fundo em direção à sede do império Pereira.
No meio do caminho, o celular acendeu com uma mensagem de Wilson.
"Wilson: Sr. Pereira, o processo do visto já foi bloqueado com sucesso. A agência responsável já recebeu ordens para informar a sua esposa."
Bernardo sequer se deu ao trabalho de responder.
Havia destruído a única rota de fuga de Cora. Era uma questão de tempo até ela rastejar de volta até ele.
Queria só ver como a esperta da Cora tentaria sumir de Lagoa Cristalina sob as suas barbas.
Enquanto ele não autorizasse a sua saída, ela continuaria sendo posse da Família Pereira em vida, e fantasma da Família Pereira na morte!
Essa fantasia dominadora pareceu diluir um pouco a fúria cega que a rebeldia dela havia despertado.
Contudo, a tensão sombria não despareceu de seus traços.
Quando ele cruzou as portas do escritório executivo, um silêncio sepulcral reinava no ambiente.
A alguns quilômetros dali, Cora jazia jogada no sofá, mergulhada num sono agitado e profundo, até ser sobressaltada pelo toque estridente do celular.
Arregalou os olhos. Era o número da agência de intercâmbio. O coração saltou no peito, certa de que o visto fora aprovado. Atendeu no primeiro toque.
— Alô? Conseguiram agendar a entrevista no consulado? — atropelou as palavras de tanta ansiedade.
Do outro lado da linha, o despachante engoliu em seco. O silêncio durou alguns segundos.
Aquele hiato foi o suficiente para o estômago de Cora despencar. Suas mãos começaram a suar frio.
Finalmente, o homem pigarreou e respondeu:
— Sra. Fernandes, nós sentimos muito, mas não poderemos dar andamento no seu processo de visto.
Cora ficou estática, incrédula:
— Mas por quê?!
O funcionário desviou das perguntas, limitando-se a sugerir que ela tentasse a sorte com outra agência, antes de desligar rapidamente.
Ainda meio atordoada, Cora digitou freneticamente nos mecanismos de busca e ligou para outros despachantes consulares na região.
No início das ligações, os atendentes esbanjavam simpatia e promessas de agilidade. Mas assim que ela passava os dados de seus documentos, o tom mudava e as respostas se tornavam cópias umas das outras.

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