O rosto dele permanecia impassível, sem demonstrar qualquer emoção.
— Bernardo... — Adelina se assustou com a frieza no olhar dele.
Bernardo não disse nada, apenas continuou a encará-la.
O olhar intenso de Bernardo deixou Adelina apavorada e um arrepio percorreu sua espinha.
Mas ao lembrar de Cora, a fúria tomou conta dela mais uma vez.
Sendo astuta, ela encontrou rapidamente uma desculpa razoável para a sua presença ali.
— O Caio foi para a escola? Estava chovendo bastante de manhã. Assim que a chuva parou, eu vim correndo para cá. — o tom de Adelina tentava soar afetuoso.
Bernardo respondeu com um murmúrio indiferente:
— Ele já foi para a escola.
Adelina assentiu:
— Bem, você poderia ter pedido licença por ele hoje.
Bernardo ignorou o comentário e baixou os olhos para o relógio de pulso:
— Tenho uma reunião agora.
Nas entrelinhas, aquilo significava que ele não tinha intenção de ficar ali debatendo.
Sem mais delongas, Bernardo virou-se em direção ao carro.
Wilson Sousa já estava esperando.
— Bernardo! — A mão de Adelina segurou o braço dele em um movimento brusco.
Ele olhou para a mão dela, as sobrancelhas se juntaram e seu olhar ficou ainda mais pesado.
Era uma demonstração clara de desagrado.
Qualquer um que conhecesse Bernardo saberia disso.
E Adelina, obviamente, sabia muito bem.
Mas ao ver Cora saindo daquele lugar, Adelina ficou tomada por uma raiva que agitava todo o seu corpo.
— Acabei de ver a Sra. Fernandes. O que ela estava fazendo aqui? — Adelina controlou a raiva ao questioná-lo.
A menção repentina do nome de Cora escureceu ainda mais o olhar de Bernardo:
— E daí?
Adelina falava cada vez mais rápido, a ansiedade transbordando em suas palavras.
Bernardo, por outro lado, apenas a observava. Com uma frieza gélida, ele puxou o braço, soltando-se da mão dela.
Desequilibrada, Adelina deu um leve tropeço para trás.
Bernardo olhou para ela sem demonstrar nenhum tipo de remorso ou culpa.
— Adelina, não se intrometa nos meus assuntos. Eu sei muito bem o que estou fazendo, entendeu? — a voz grave dele ecoou.
Ele ergueu o queixo de Adelina com os dedos, encarando-a com uma quietude opressora:
— Eu não gosto disso.
Aquelas palavras fizeram o rosto de Adelina empalidecer, como se confirmassem todas as suas suspeitas.
— Além disso, como mãe do Caio, se tiver tempo livre, dedique-o a cuidar dele, em vez de criar tempestades por coisas irrelevantes. — a última frase soou quase como um ultimato.
Terminado o aviso, ele a soltou.
Sem perder mais um segundo ali, caminhou em direção ao carro.
— Bernardo! — Adelina, inconformada, correu atrás dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....