Wilson percebeu imediatamente que ele falava sobre o assunto de Cora.
Ele não hesitou por um segundo sequer:
— Tenho certeza de que os agentes da Lagoa Cristalina não darão andamento aos documentos de visto da senhora. E também posso confirmar que ela já está ciente disso.
Ao dizer isso, Wilson sentiu um certo constrangimento, pois também sabia que Cora não havia procurado o marido.
— Talvez a senhora ainda não tenha desistido e esteja procurando outras alternativas. Quando perceber que não há saída, com certeza voltará para te implorar perdão. — Wilson falou com cautela.
O rosto de Bernardo ia ficando cada vez mais sombrio.
Cora havia escapado completamente de seu controle.
Nesse exato momento, seu celular vibrou.
O nome de Horácio Villas brilhava na tela.
Com a expressão fechada, Bernardo atendeu a ligação, e Wilson imediatamente se virou e saiu da sala.
Horácio era amigo de infância de Bernardo e também seu parceiro de negócios; não era estranho que lhe telefonasse.
Mas, desta vez, o que Horácio disse fez a cor sumir do rosto de Bernardo.
— O que você disse? — perguntou ele, com a voz carregada de tensão.
— Eu disse que a Cora está grávida, ouviu bem? — Horácio repetiu, demonstrando tranquilidade.
— Como você sabe disso? — Bernardo franziu a testa.
Ele nunca havia mencionado esse assunto com ninguém, nem mesmo Renata sabia.
E Horácio não era do tipo que se metia na vida alheia.
Bernardo achou a situação cada vez mais estranha, mas não deu tempo para o amigo se explicar, emendando logo:
— Por que está me falando isso de repente? Ela esteve grávida, sim, mas já sofreu um aborto espontâneo.
A última frase foi dita com uma frieza cortante.
Do outro lado da linha, ouviu-se a risada irônica de Horácio:
— Que besteira. Se ela perdeu o bebê, o que estava fazendo na ala de obstetrícia quando a vi? E detalhe: não foi no hospital da Família Pereira, mas sim no Hospital Bem Estar.

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