— Quem é a doadora deste menino? — perguntou Bernardo, direto ao ponto.
Lino balançou a cabeça:
— Sobre isso, nós realmente não sabemos. Não há absolutamente nenhuma informação.
Bernardo permaneceu em um silêncio incomum.
Mas ele sabia que Lino não estava mentindo.
— Agora que o Dr. Caiado faleceu, é provável que isso permaneça um segredo para sempre — concluiu Lino, em um tom de resignação.
Bernardo não o pressionou mais.
Wilson Sousa acompanhou Lino pessoalmente até a saída.
Qualquer um com olhos atentos poderia ver o suor frio e a tensão de Lino ao se despedir.
Bernardo continuou onde estava, imóvel, imerso em seus pensamentos.
Wilson logo retornou e olhou para o chefe.
— Sr. Pereira, sobre este assunto... — A expressão de Wilson era grave.
No início, todos pensavam que a situação fosse simples.
Que Adelina Botelho apenas havia usado o óvulo de outra mulher para dar à luz Caio.
Mas agora, à medida que desvendavam os fatos, tudo se revelava muito mais complexo.
Porque eles simplesmente não conseguiam encontrar a mãe biológica da criança.
No mínimo, toda essa história cheira a uma conspiração, e ninguém consegue descobrir a origem do Caio.
E o único que sabia a verdade, o Dr. Caiado, falecera no ano anterior.
— Investigue o hospital e todas as pessoas próximas ao Dr. Caiado — ordenou Bernardo, friamente.
— Sim, senhor — respondeu Wilson.
Era a única opção que lhes restava.
— Além disso, não deixe vazar uma única palavra sobre isso. Mantenha os olhos em todos os envolvidos para evitar imprevistos — concluiu Bernardo.
Wilson assentiu, mas de repente olhou para Bernardo como se tivesse lembrado de algo.
Bernardo captou o pensamento de seu assistente em um único olhar.
— Adelina não saberá de nada — disse Bernardo, num tom indiferente.
Wilson pareceu um pouco surpreso.
Bernardo conhecia muito bem a forma de Adelina agir.
Ela certamente queria ter a garantia de que a criança fosse deles dois.
Como os seus próprios óvulos não tinham qualidade, Adelina buscou ajuda externa, o que explicava sua falta de afeto por Caio.
Ele não avisou ninguém sobre sua chegada.
Também não se hospedou em um hotel, preferindo ir para sua cobertura na Baía da Vitória.
E o apartamento que Bernardo possuía em Luzia do Mar ficava, por coincidência, bem ao lado do apartamento de Cora Fernandes.
A densidade urbana em Luzia do Mar era bem alta.
Quando ele ficava em pé na cobertura, olhando para baixo, podia ver claramente o carro de Cora entrando e saindo do prédio vizinho.
Afinal, ambos viviam no mesmo condomínio residencial.
Compartilhavam inclusive a mesma garagem subterrânea.
Bernardo abaixou o olhar, de pé diante da janela panorâmica, completamente imóvel.
De repente, como se tivesse se lembrado de algo, fez uma ligação para Wilson.
— Mais uma coisa, entre em contato com o cirurgião plástico que operou Mona naquela época — pediu Bernardo, com a voz serena.
— Sim, senhor — Wilson não hesitou.
Logo depois, a ligação foi encerrada.
Na visão de Wilson, o motivo de Bernardo procurar o cirurgião plástico de Mona.
Tinha tudo a ver com a atual Cora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....