Cora, então, decidiu sair e aguardar por Noelia na porta do elevador.
Afinal, Daniel não voltaria para casa aquela noite devido a compromissos de negócios.
Não demorou muito para que ela visse o painel do elevador indicando a subida.
E esperou pacientemente.
Assim que as portas se abriram no último andar, Cora foi logo falando:
— Noelia, da próxima vez você poderia me ligar para que eu desça e te busque?
Com as portas do elevador completamente abertas, as palavras de Cora morreram na garganta.
Porque quem saía do elevador, carregando Noelia nos braços, era Bernardo.
A menina deu um pulinho e deslizou rapidamente dos braços do homem.
— Cora, cheguei! — murmurou Noelia, com um tom de denguice.
Mas quem tomou a iniciativa de se explicar foi Bernardo:
— Ela errou o prédio e acabou indo parar no meu. Então, resolvi trazê-la de volta.
Foi breve, claro e sem a menor cerimônia.
Cora estreitou os olhos:
— Você mora aqui?
— Sim. Comprei um apartamento em Luzia do Mar faz tempo, só não tinha vindo morar nele ainda — respondeu ele, num tom apático.
Cora não disse uma palavra, mergulhando num silêncio profundo.
A cobertura ao lado realmente havia sido vendida há muito tempo.
Mas nunca havia sido habitada, então os moradores não faziam ideia de quem seria o proprietário.
No entanto, Cora jamais imaginaria que esse vizinho misterioso seria Bernardo.
Escondendo a surpresa por trás de uma fachada imparcial, ela disse apenas:
— Certo. Obrigada por se dar ao trabalho de trazê-la de volta.
O tom indiferente de sua voz mostrava que ela não tinha a menor intenção de prolongar a conversa com ele.
Rapidamente, Cora pegou a mão de Noelia e caminhou de forma quieta em direção ao seu apartamento.
Bernardo permaneceu parado, inabalável.
Era evidente que Daniel não estava ali.
Caso contrário, o marido já teria saído para tirar satisfações, não é?
Bernardo continuou quieto.
Não a seguiu, mas também não foi embora.
Sem mais delongas, ela virou as costas e rumou para o interior da sua casa.
No entanto, o coração de Cora disparava. Um nervosismo forte tomava conta de todo o seu corpo.
Temia que algo mais acontecesse.
No exato momento em que ela se afastava, a voz de Bernardo soou com placidez:
— Foi o Daniel que a obrigou a tomar essa decisão?
— Foi a minha decisão — rebateu ela secamente.
O olhar dele continuava fixo nela, sem um piscar sequer.
E depois de suas palavras, Cora apenas acenou polidamente com a cabeça.
Ela não conseguia ler a mente de Bernardo, mas também não estava a fim de perder tempo tentando.
No entanto, no instante em que deu as costas, sua mente foi inevitavelmente bombardeada com as recentes fofocas que estavam na boca de todos.
Bernardo e Adelina Botelho iriam se divorciar.
E a culpa daquele divórcio seria dela?
Assim que o pensamento lhe ocorreu, Cora não pôde deixar de achá-lo completamente absurdo.
Era melhor não criar fantasias, ou acabaria por atrair problemas dos quais definitivamente não precisava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....