A presença de Bernardo fez com que Cora perdesse toda a sua compostura.
Era uma sensação indescritível e absurdamente esquisita.
Como se alguém que jamais deveria pisar ali tivesse, de repente, brotado do nada bem na sua frente.
— Bernardo, este não é um lugar onde você deva estar. Por favor, saia — exigiu Cora com firmeza.
Apontando para a porta de maneira ríspida, completou:
— Além disso, o Daniel não vai demorar a voltar. Não quero arrumar problemas ou causar mal-entendidos desnecessários.
Para a sua surpresa, isso arrancou uma risada dele.
Ele soltou uma risada baixa, cheia de ironia que deixou Cora desconfortável.
O som fez um arrepio subir pela espinha dela.
Ela o encarou com os olhos arregalados, a testa vincada de preocupação.
— Do que você está rindo? — perguntou ela, incapaz de se conter.
Bernardo fixou seus olhos nela:
— Você sabe do que nós parecemos agora?
— O quê? — A mente de Cora pareceu dar um apagão.
— Parecemos duas pessoas que acabaram de ter um caso e agora estão com pressa de ir embora, mortos de medo de serem descobertos — respondeu ele num tom despreocupado.
Cora corou, extremamente desconcertada.
Porque, infelizmente, a descrição não poderia ser mais precisa.
Ela baixou os olhos para a tela do celular.
Eram 21h10.
Salvo algum imprevisto grave, Daniel com certeza chegaria antes das dez da noite.
Ela não estava disposta a criar novos conflitos com o marido só por conta daquele homem.
Mas Bernardo parecia completamente insensível à urgência do momento.
Continuava ali, majestoso e incólume, como se fosse o dono do lugar.
No final, foi Cora quem perdeu a paciência.
— Eu disse alguma mentira? — sussurrou ele.
Deu um passo à frente, quase prensando a mulher.
Quando ele chegou tão perto, ela sentiu uma pressão no peito que a deixava sem ar.
Num instinto quase automático, ela recuou.
Mas, ao encará-lo, não desviou os olhos.
Cora não sabia se se sentia aliviada ou se tinha outro tipo de emoção tomando conta do peito.
Por alguma razão inominável, um mau pressentimento tomou conta dela, deixando seu peito apertado.
Sem emitir nenhum som, ela permaneceu plantada no meio do quarto.
Segundos depois, ouviu o bater da porta da frente.
E, num timing perfeito, o celular no seu bolso vibrou.
Um arrepio tomou conta de seu corpo.
Pensou que fosse uma ligação de Bernardo.
Mas, ao olhar para a tela, o nome de Daniel saltou aos olhos.
Sem pestanejar, ela deslizou o dedo e atendeu.
A voz magnética e grave dele ressoou pelo alto-falante:
— A Noelia está aí? A Tia Clara me ligou agora há pouco e disse que o Tio Gabriel teve que sair de última hora e, por isso, a menina vai ficar alguns dias com a gente.
— Sim, ela acabou de chegar — confirmou Cora, tentando mascarar o tremor em sua voz.
Daniel fez uma pausa. O silêncio que se seguiu pareceu pesar.
— O que foi? — perguntou ela, apressando-se a quebrar a quietude.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Encurralada pelo Meu Ex-Marido Obsessivo
Não entendi nada pq o diálogo dessa negociação mudou para essa linguagem nórdica....