Graças à carona de Simon chegou à residência dos Muller no horário que combinara com a mãe dele, Carlota, por telefone dias antes. Meia hora depois seu pai e sua irmã chegaram e, juntamente com sua sogra, seguiram para a sala de estar.
Carlota era uma anfitriã excelente, extrovertida e bem humorada. Paulina prestava atenção em cada gesto dela, memorizando para usar no futuro, embora duvidasse que conseguisse agir com tanta espontaneidade. Entreter pessoas, falar com elas sobre assuntos variados não fazia parte de sua personalidade. Tinha receio de desapontar Nathaniel quando recebessem convidados após o casamento.
Sua preocupação com eventos futuros só não era maior porque seu noivo estava atrasado, muito atrasado. Sentada entre a irmã e o pai, que olhava a todo o momento o relógio, ficava difícil ignorar esse fato.
Meio dia passou e, em vez de seguirem para a sala de jantar, continuaram conversando na sala de estar à espera de Nathaniel.
Não sabia se morria de apreensão de que algo horrível houvesse acontecido ou de vergonha, a segunda venceria caso o atraso fosse por causa do trabalho.
Apertou as mãos com nervosismo e relanceou um olhar na direção da irmã. Paola lhe devolveu um sorriso amarelo. Olhou para Carlota, que sustentava um olhar piedoso. Na expressão fechada de seu pai enxergou o desgosto com a situação. Ele nunca gostara de Nathaniel e menos ainda de atrasos.
Carlota chamou a atenção de todos.
— Como Nathaniel está um pouco atrasado e sabemos o motivo dessa reunião, quero saber quais são seus planos para o casamento Paulina.
Paulina sentiu a garganta seca.
— Ah... Ainda não falei com o Nathaniel sobre isso...
Carlota estreitou os olhos azulados.
— Você deve ter algum desejo para a cerimônia. — Diante da confusão na face lívida, sugeriu: — Um casamento simples ou uma grande festa?
— Bem... Gostaria de um casamento na igreja em que fui batizada — disse por fim, ao ver a expressão curiosa de Carlota, explicou: — Minha mãe era católica e desejava ver suas filhas entrarem na igreja... Gostaria de homenageá-la...
Sorriu lembrando-se de Soraia Perez arrumando-as para a missa aos domingos. Roupas novas, sapatos lustrados e penteados modestos cobertos por véus translúcidos. Até seu pai, que criticava o excesso de visitas e dedicação da mulher a catedral, as acompanhava com suas melhores roupas, o rosto sustentando o orgulho pela esposa e filhas.
Sentiu a mão ser envolvida pela da irmã, que sorriu carinhosa. Arriscou um olhar para o pai. Paulo estava com o olhar baixo, ao levanta-lo Paulina visualizou a gratidão no fundo dos olhos cor de mel.
— Nathaniel sabe? — Carlota questionou.
— Nunca falamos sobre isso.
— Creio que chegou a hora de falarem. — Notando a expressão preocupada de Paulina, acrescentou tranquilizadora: — Vocês tem tempo para aprontarem tudo.
Paulina sorriu.
Naquele momento Nathaniel entrou apressado, roupas e cabelo em desalinho. Todos levantaram, divididos em expressões de alivio, curiosidade e repreensão, mas somente Carlota e Paulina se aproximaram dele.
— Filho o que aconteceu?
— Estive em uma delegacia.
— Delegacia?! — Paulina murmurou, a mão automaticamente escondendo a boca escancarada de espanto.
— Impedi um roubo — contou com um sorriso vitorioso. — Mas, infelizmente, isso me custou o celular. — Retirou do bolso da calça social os destroços do aparelho. — Demorei porque tivemos de fazer a denúncia.
— Tivemos? — questionou Paulo com desconfiança.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ensina-me
Boa noite? Cadê os outros capítulos? Já que o livro é completo....