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Entre Lobos: Vínculo do Destino romance Capítulo 10

Peguei aquele colar que ela havia me dado alguns anos atrás e murmurei seu nome como se fosse uma oração, sem saber se realmente funcionaria. Um portal se abriu diante de nós e dela emergiu aquela que há alguns anos eu havia salvado. Ela já era bela naquela época, mas agora parecia ainda mais linda. Seu sorriso era deslumbrante e encantador.

— Alguém que eu jamais imaginei encontrar novamente, mas devo admitir que é uma agradável surpresa. — Ela disse, enquanto passava por aquele portal que logo se fechou atrás dela.

— Também não imaginei que precisaria da sua ajuda algum dia. — Respondi, rindo. — Mas é um prazer revê-la, desta vez em uma situação bem melhor do que antes.

Ela estendeu a mão e, quando a segurei, pensando em cumprimentá-la de forma mais íntima, ouvimos um rosnado. Olhei na direção do som e percebi vir de Austin. Isso me fez abrir um sorriso ainda maior. Finalmente, meu amigo havia encontrado sua companheira, pelo visto, em uma situação bem inesperada.

Anna olhou para ele e o analisou dos pés à cabeça. Percebi um brilho em seu olhar, mas ela nada falou. Jacob também apenas observava a cena, surpreso. Pelo visto, esse vínculo entre feiticeiro e lobo era algo raro. Até o momento, o único de quem havia ouvido falar foi o dos pais de minha companheira.

Olhei para meu beta e sorri. Pelo visto, a Deusa Selene estava brincando com o destino de todos. Quem imaginaria que logo aquela feiticeira seria a companheira de Austin? Resolvi fazer as devidas apresentações.

— Anna, esse é Austin Miller, meu segundo em comando aqui na alcateia Black Wolf. — Disse eu, apresentando-os.

— Austin, essa é Anna, uma amiga e feiticeira. — Completei, permitindo que eles se conhecessem formalmente.

Ambos se cumprimentaram com um aperto de mãos, e notei Anna inclinando um pouco a cabeça, tentando entender o que estava acontecendo ali. Enquanto isso, Austin não conseguia desviar os olhos dela, sem mencionar que seus olhos mudaram de cor devido ao seu lobo.

— E esse é Jacob, o curandeiro da minha alcateia. — Ela também o cumprimentou.

— Bem, se me chamou aqui, tenho certeza de que está precisando da minha ajuda. Em que posso ser útil? — Anna perguntou, mostrando disposição.

— Anna, estamos tendo problemas com alguns renegados invadindo nossa alcateia e matando alguns de nossos membros. — Eu expliquei, vendo-a erguer a sobrancelha, questionando-me. — Claro que teríamos como contê-los se eles não estivessem usando magia para encobrir seu cheiro. — Nesse momento, ela pareceu surpresa.

— Como você sabe que estão usando magia? — O curandeiro entregou a ela aquele diário, e ela se surpreendeu ao folheá-lo.

— Onde encontraram esse diário? — Anna perguntou, sua curiosidade evidentemente aguçada.

— Por que isso seria tão importante? — Ela me olhou, hesitante sobre se devia ou não me contar o que sabia. Devia ter alguma informação que não tínhamos, assim como tínhamos informações que ela não possuía.

— Gandalf não era simplesmente um feiticeiro, Matthew. Ele é uma lenda em nosso meio. Alguém que sabia combater a magia negra praticada por alguns dos nossos, que cruzavam uma linha muito tênue. Ele foi caçado por seu grupo e por outros do nosso meio. A união dele com uma loba através dos laços de Selene, a deusa da lua, foi algo surpreendente. — Nesse momento, ela olhou para Austin. — Muitos queriam controlar a criança que seria gerada dessa união, imaginando que ela seria poderosa. Apenas quando esse laço era permitido, uma criança podia ser gerada. Outros tentaram, mas a gestação não ia adiante, nem com lobas, nem com feiticeiras. E, pelo que posso ver aqui, o mais extraordinário aconteceu: eles tiveram gêmeos.

— Sim, Anna, mas só temos conhecimento de uma das crianças. — Ela me olhou surpresa.

— Você sabe onde essa criança, que provavelmente não é mais uma criança, se encontra? — Jacob e Austin me encaravam. Meus subordinados sabiam quem ela era, mas se eu não falasse, eles se manteriam calados.

— Ela é minha companheira! — Afirmei para Anna.

— Se você tem uma das pessoas mais poderosas que meu reino acredita que existe, por que você pediu minha ajuda? — Anna questionou, evidenciando a curiosidade em relação à situação.

— Ela não sabe sobre nosso mundo e nem sabe que faz parte dele. — Aquela mulher olhou-me sem acreditar em minhas palavras. — Primeiro, preciso de sua ajuda com os renegados, depois provarei o que estou falando. Preciso que me acompanhe até uma cabana aqui próxima, onde aconteceu o ataque que deduzimos ter sido usado magia. — Disse e ela aceitou me acompanhar.

A levei até aquela cabana, e assim que ela chegou, nem precisou entrar para ter certeza. Ela simplesmente levou as mãos à parede e absorveu um feixe de luz rosa, que antes não era visível aos nossos olhos. Assim que aquilo foi absorvido, conseguimos captar o odor daqueles renegados que, naquele momento, já era fraco, mas não para meu olfato apurado.

— Isso foi um encantamento estratégico, Matthew. A pessoa que fez isso queria ter certeza de que conseguiria passar pela sua alcateia. Isso foi apenas um teste. — Explicou Anna.

— O hospital. — Disse Austin, conectando os pontos.

Ele tinha razão. Aquele cara entrou no meu hospital e por pouco não levou minha filha dessa maneira. Ele passou pelos meus lobos sem ser detectado. Eles queriam ter certeza de que conseguiriam entrar, e o ataque não passou de uma distração para nós, já que sabiam que o guerreiro seria levado para lá. No entanto, como ele sabia que Lara estaria ali?

— Anna, estamos precisando de sua ajuda. Não vou forçá-la a ficar, mas serei eternamente grato se pudesse permanecer em minha alcateia até que eu consiga descobrir tudo que está acontecendo aqui. — Pedi, sinceramente.

— A filha do Gandalf está aqui na sua alcateia também? — Ela me perguntou, curiosa.

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