Após falar com meus guerreiros sobre manter segredo do que haviam visto na floresta, busquei informações sobre Emily. No hospital, apenas encontrei suas referências profissionais, mas precisava descobrir suas referências pessoais.
Talvez a única forma de obter isso seria invadindo seu espaço pessoal, precisamente sua casa. O fato de estar em minha reserva facilitava, mas precisava ser bastante discreto para não levantar suspeitas. Através do elo mental, pedi que Austin e Jones viessem até mim na diretoria.
— Jones, preciso que você observe a Dra. Emily. — Falei assim que ele entrou, acompanhado de meu beta. O lobo olhou para mim sem entender minha ordem. — Se por algum motivo ela precisar deixar o hospital até que eu volte, você deve me comunicar imediatamente.
— Ok, alfa. Há algo específico que eu precise saber sobre o porquê? — Ele perguntou, preocupado.
— Não, Jones. Apenas necessito que você cumpra minha ordem. — Ele acenou em positivo. — Austin, você vem comigo.
Meu beta me acompanhou em silêncio, sabendo provavelmente o que eu pretendia fazer. Dirigi até a residência daquela mulher e peguei a chave extra que possuía, entrando no espaço que agora pertencia a ela. Fui bombardeado pelo cheiro de orquídea e mel, tão característico dela, e aquilo fez Sky ronronar. Meus olhos faziam uma inspeção de cada detalhe acrescentado por ela naquela residência.
— Você tem certeza de que quer fazer isso? Ela não vai gostar muito se descobrir que invadimos seu espaço pessoal. — Austin perguntou.
— Não temos como descobrir o que está acontecendo se não tivermos nenhum tipo de pista. Tente não tirar as coisas do lugar para não levantar suspeitas de que alguém esteve aqui. — Disse.
— Você sabe que isso vai ser impossível, né? Se a loba dela estiver querendo despertar, sentirá nosso cheiro assim que passar pela porta.
— Então vamos logo. Quanto mais rápido sairmos daqui, menos o nosso cheiro ficará presente. Procure aqui na sala, irei até o quarto dela.
Jamais deixaria Austin vasculhar suas gavetas de calcinhas. Sei que, como meu beta, ele jamais olharia para ela com olhos que não fossem respeitosos. No entanto, o homem ciumento em mim, juntamente com a possessividade do Sky, se recusava a permitir isso.
Assim que entrei em seu quarto, reparei na cama onde provavelmente ela esteve deitada mais cedo. Observei uma camisa sua jogada sobre ela, então, sem me conter, a peguei e levei até meu nariz, inalando seu cheiro maravilhoso.
Tudo que eu pegava tentava deixar no mesmo lugar onde eu encontrava. Abri algumas gavetas de seu closet e fiquei maravilhado quando aquelas peças íntimas me cumprimentaram. Impossibilitado de resistir, peguei uma peça branca de renda e tule transparente que chamou minha atenção, também levando aquela peça ao meu nariz.
Sky também ficou inquieto com aquela sensação, querendo não apenas o contato com aquela peça, como também com a dona dela. Não tive coragem de devolvê-la ao seu local e a coloquei em meu bolso.
Sabia que isso poderia parecer esquisito para qualquer outra pessoa, mas eu queria ter algo dela comigo. Para que tanto eu quanto Sky pudéssemos sentir seu cheiro delicado e calmante.
Vasculhei cada pedaço daquele closet e, quando estava perdendo as esperanças, encontrei um pequeno diário. Peguei aquele objeto e comecei a ler o que havia escrito. Não teria tempo de lê-lo por completo, mas precisava de informações que me ajudassem, ou que pelo menos me dessem um norte.
Pelo que pude perceber ali, não era um diário de adolescente, mas um que provavelmente foi escrito apenas alguns meses antes. Observei o nome de um homem e aquilo me chamou atenção. Quem era Tyler? Nesse momento, Austin chegou até ali.
— Você encontrou algo? Porque não tive sorte na sala. Ela acrescentou muitas coisas pessoais ao ambiente, mas nada que revelasse muita coisa, além do bom gosto dela. — Meu beta disse.
— Acabei de encontrar um diário. Mas ainda não acabei aqui. Verifique se você encontra algo no quarto. — Não queria que ele permanecesse ali dentro, onde as roupas íntimas da minha companheira pareciam estar. Ele saiu sem dizer mais nada.
Muita coisa estava escrita ali. Não sabia se as informações necessárias para descobrirmos o que estava acontecendo, mas com toda certeza me faria conhecer melhor Emily.
— Matthew, acredito que encontrei algo. — A voz de Austin me chamou atenção e fui até ele. Meu amigo olhava uma caixa com alguns pertences dentro. — Ela ainda não desencaixotou tudo.

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