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Entre Lobos: Vínculo do Destino romance Capítulo 31

Quando eles desceram daquele jatinho, senti um grande frio na barriga. De certa forma, tinha medo de não ser aceita por eles e, mesmo não verbalizando isso, queria poder conviver com a única família de sangue que ainda me restava.

Quando fiquei de frente com eles e minha avó me abraçou, senti meu coração sendo confortado, e quando meu avô fez o mesmo, me senti completa. Há muitos anos pensei estar sozinha, claro que tinha meus pais de criação e minha amiga Vivian, mas ter alguém do meu sangue é reconfortante. Matthew estava ao meu lado, com uma das mãos na minha cintura. Meu avô olhou para ele e depois para sua mão.

— Posso deduzir que ambos são companheiros? — Vovô perguntou com uma cara meio fechada. Olhei para Matthew e ele encarava meu avô.

— Sim, ela é minha companheira. A mulher por quem meu lobo é totalmente submisso. — Isso fez minha avó sorrir, ela deu uma cotovelada de brincadeira no meu avô.

— Esse aí está tão submisso quanto você está por mim… não reclame, nossa neta já se mostrou forte demais, então não seja babaca. — Aquilo me fez sorrir.

— Eu só queria saber quais as intenções dele com ela. Não iria deixar minha neta na mão de qualquer lobo. Por que você acha que trouxe tantos guerreiros?

— Bem, agora o senhor sabe que não sou qualquer lobo. Mas se ainda tem dúvidas, poderei esclarecer todas elas, mas tenho certeza de que o senhor não conseguirá tirar minha mulher do meu lado, não antes de me matar. — Meu avô analisou Matthew.

— Perdoe esse velho, meu filho, ele nem sabe mais o que fala. — Minha avó disse agora abraçando meu companheiro. — E por falar nisso, gostei de como defendeu sua posição. Você já tem meu apoio. Agora vamos, quero conhecer a alcateia de minha neta. — Meu avô ficou apenas sorrindo. Fiquei admirada pela forma como eles se tratavam.

Um rapaz os acompanhava-os de perto, e o fato de ele me olhar com frequência me fazia retribuir o olhar, tentando entender sua posição. Meu avô, percebendo isso, tratou de apresentá-lo.

— Perdão pelas minhas maneiras, fiquei tão admirado por finalmente conhecer minha neta que esqueci de fazer as devidas apresentações… este é o Eric, beta de nossa alcateia.

— Se o alfa e o beta vieram, quem ficou responsável pela matilha? — Matthew perguntou, apertando a mão do rapaz, que logo em seguida me deu uma boa encarada e estendeu a mão.

— Ah, não, meu filho. Não sou mais o alfa, já passei esse comando para meu filho, por isso o beta dele está nos acompanhando. — Meu avô explicou.

— Então, eu tenho um tio? — Perguntei surpresa e, ao mesmo tempo, feliz. Quem diria que minha família estava crescendo…

Nos encaminhamos até o carro. Meus avós seguiriam no carro conosco, e o tal Eric os acompanhou. Acreditava que talvez ainda não sejamos confiáveis para ele. Seu olhar me incomodava, mas preferi ignorar.

— Não apenas um tio, mas dois primos, e nós já temos bisnetos. — Aquela informação me surpreendeu ainda mais.

Matthew me olhou sorrindo e esticou a mão, colocando-a em minha perna e dando um leve aperto. Sabia que ele estava feliz pela minha felicidade. Ao girar o pescoço para olhar para meus avós, percebi que Eric estava olhando para a mão de Matthew em minha perna. Comecei a perceber que havia algo estranho com ele, não conseguia ter ideia do que era, mas descobriria.

Assim que chegamos à alcateia, fomos recebidos por Austin e Anna. Apresentei ambos aos meus avós. Quando Anna estendeu a mão para cumprimentá-los, Eric estava na frente de meus avós, rosnando e com um olhar nada amigável para Anna. Austin, no intuito de defender sua companheira, rosnou para Eric.

— O que uma feiticeira faz em sua alcateia, Matthew? — Meu avô perguntou. Passei por todos e fiquei defronte daquele lobo, encarando-o nada satisfeita.

— Anna é minha amiga, vovô, companheira do Austin e tão feiticeira quanto eu. Qual será o problema quanto a isso? — Perguntei, encarando aquele lobo. Minha avó colocou a mão no ombro de Eric e logo ele relaxou sua postura.

— Nos perdoe por isso, minha filha. Temos alguns traumas com feiticeiros em nossa região. Digamos que os que conhecemos não foram tão amigáveis. No entanto, se você diz que ela é sua amiga, podemos confiar nela também. — Minha avó falou, indo até Anna e abraçando-a também.

— Pelo jeito, a história se repete e justo com nossa neta, tive a impressão de ter voltado no tempo. Não é, Lila? — Meu avô falou, agora com um sorriso no rosto, esticando a mão para cumprimentar meus amigos.

— Agora nos esclareça o que acabou de dizer, meu amor. Sinto seu cheiro, consigo identificar sua loba, como você me diz que é uma feiticeira? — Minha avó perguntou-me, curiosa.

Estiquei minha mão e fiz um pequeno feitiço simples de chamas de fogo. Eles me olharam surpresos, sem entender o que estava acontecendo. Meu avô se aproximou mais de mim, cheirando-me, o que me fez sorrir.

— Também sou uma loba, vovô! Duas em uma. Isso foi o que aconteceu do amor entre uma loba e um feiticeiro. Agora vamos entrar. Tenho certeza de que vocês estão famintos.

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