EMILY
No dia seguinte, quando acordei, senti meu corpo dolorido. Olhei para o lado e Matthew não estava lá. Levantei-me e fui até o banheiro. Minha região íntima estava supersensível, então resolvi relaxar um pouco na banheira. Ao retornar para o quarto, encontrei Matthew sentado na cama, com um lindo sorriso e uma bandeja de café da manhã. Não tinha como não amar esse homem. Ele levantou-se, caminhou até mim e me beijou apaixonadamente.
— Peguei pesado ontem? — Ele perguntou, timidamente.
— Eu estou um pouco dolorida, mas me sinto maravilhosamente satisfeita. — Abri um sorriso para ele, que também sorriu.
Após tomarmos café da manhã no quarto, descemos e encontramos todos na sala. Lara correu para me abraçar e a coloquei em meus braços.
— Mamãe, a senhora está melhor? — Olhei para ela sem entender sua pergunta. — O papai disse que a senhora teve um pesadelo com o lobo mau, por isso precisava dormir um pouco mais. — Ela me explicou.
— Lobo mau foi? — Olhei para Matthew, que deu de ombros. Meus avós tentaram segurar o riso, enquanto Eric desviou o olhar. — Estou melhor, filha. Obrigada! — Falei, dando-lhe um beijo.
Procurei Tyler e Júlia com o olhar, mas vovó me informou que meu irmão saiu logo cedo com Júlia e um cesto de comida. Essa informação me fez sorrir, deixando-me muito feliz pelo meu irmão.
Algumas semanas se passaram e não tive nenhuma outra notícia do meu pai. Comecei a imaginar se o que aconteceu realmente não teria sido um sonho ou algo criado pelo meu subconsciente. Minha vida estava extremamente corrida entre o hospital, a alcateia e minha família.
As reformas no hospital finalmente ficaram prontas. Matthew havia proposto uma reformulação no local, já que havia ampliado ainda mais aquela unidade de saúde e novos médicos foram contratados. Dessa forma, houve também a criação de novos departamentos, e cada um deles ficou a cargo de um médico. Claro que Matthew me promoveu como diretora do departamento pediátrico.
Como era responsável pelo departamento de pediatria, assumi muito mais a parte burocrática de tudo. No início, não fiquei muito feliz com isso, mas Matthew me fez enxergar que assim eu poderia criar uma padronização nos atendimentos para que tivessem os mesmos padrões do meu.
Tive total liberdade para dispensar os médicos que não se adequassem a isso e consegui formar uma equipe que realmente se destacava em elogios em todo o hospital. Isso me deixou orgulhosa de mim mesma e da equipe.
Percebi que Matthew estava certo quando falou que, depois de um tempo, eu me apaixonaria pelo que estava fazendo. Claro que era taxada por alguns como insuportável, até porque minha prioridade era sempre os pacientes e alguns médicos não gostavam disso, mas não me importava, desde que eles continuassem fazendo seus excelentes trabalhos.
Com essa ampliação, conseguimos atender também outras alcateias. Cada uma tinha seu próprio curandeiro, que muitas vezes solucionava os problemas dos lobos, mas muitos lobos tinham como seus companheiros, humanos, e precisavam de atendimentos médicos tradicionais, principalmente quando se tratava de mulheres grávidas.
Nossa área de pediatria muitas vezes era obrigada a trabalhar com o setor ginecológico, já que assim que os bebês nasciam, eles precisavam de atendimento pediátrico. No entanto, existia uma médica nessa área que era difícil de conviver. Ela também era uma loba, mas acreditava que isso a tornava superior aos demais médicos que não eram.
Tínhamos total liberdade, como diretores dos diversos setores, para sugerir melhorias no hospital. Certa vez, ela sugeriu que os médicos lobos tivessem salas de descanso separadas dos demais. Era nítido o desprezo dela pelos humanos, e isso muitas vezes se tornava absurdo. Até mesmo alguns lobos não a suportavam, e eu era uma delas.

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