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ENTRE O AMOR E O ÓDIO romance Capítulo 196

Na noite da despedida de solteira de Grace, Rebecca se junta às mulheres em uma badalada boate. Apesar da presença de todas, sua relação com Bruna e Christine permanece fria e cada interação com elas é marcada por respostas curtas.

— Você está ansiosa, Grace? — Pergunta Camila, animada.

— Diria que nervosa. Estava tudo bem até a mudança… — Ela interrompe a fala e lança um olhar sem graça para Rebecca.

— Pode encerrar o assunto, estava tudo bem, até a mudança da data do julgamento. Chega a ser irônico que no dia oito celebrarei um casamento e, dois dias depois, estarei em um tribunal. — Afirma, com a voz embargada, principalmente ao pensar que, no dia seguinte à festa, ela deixará o homem que ama sozinho.

— Sugiro que não falemos sobre isso, hoje é uma noite de comemoração. — Diz Christine, esboçando um leve sorriso.

— Claro, porque isso nunca importou para você. Alguns de vocês nunca foram amigos de Alex. — Rebate com irritação, criando um clima tenso na mesa. Rebecca percebe os olhares desconfortáveis de todas, levanta-se e sai da mesa em direção ao banheiro.

— Cuido disso. — Afirma Susan, levantando-se e indo até sua amiga. — Becca, você está bem? — Questiona, empurrando a única porta fechada e encontrando Rebecca sentada no vaso, lágrimas escorrendo por seu rosto. — Amiga, eu sinto muito. — Diz, abraçando-a.

— Ele será preso, Susan. Eu não posso fazer nada para salvar o homem que eu amo. Ele me mandou embora, eu partirei na manhã seguinte ao casamento, abandonando o homem da minha vida. Respondendo a um processo por minha causa, sendo que tudo que ele sempre fez foi me amar. Por que o Alex merece isso? Agora entendo a vida que ele teve, Alex nunca teve apoio de ninguém, ele está sempre sozinho. Você entende, Susan, que tomei o lugar dele? Como eu simplesmente posso pegar os meus filhos e sumir no mundo? Que tipo de pessoa eu sou?

— Você é uma mãe, uma mulher que ama incondicionalmente e está fazendo o que ele te pediu. Já conversamos sobre isso, amiga, várias e várias vezes, desde que você me contou. Alex sabe que você não está abandonando-o. Coloque-se no lugar dele, um homem imponente, inteligente, com um poder que nem consigo imaginar e ainda assim, ele foi incapaz de encontrar qualquer prova contra Nicole.

— Mesmo que ela tenha detalhado as coisas que fez, em certo momento já estávamos duvidando do nosso julgamento, por ser surreal não ter rastro algum. Eu nunca havia visto o Alex assim, desde o dia que Luiza contou sobre Ryan e aquelas duas, parece que uma insegurança o envolveu e embora ele esteja sempre dominando as situações, eu sinto a fragilidade dele.

— Amiga, se você quiser, vamos até a casa dela, matamos ela e escondemos o corpo. — Fala, arrancando uma risada de Rebecca. — É dessa Rebecca que gosto, de sorriso fácil e alegre. Se ela é tão obcecada no Alex, com certeza ela dará um jeito de mantê-lo longe da prisão.

— Me dói só de imaginar isso, mas no último mês, eu já perdi as contas de quantas vezes mandei o Alex ir transar com ela, para que ela continue convencida que ele a ama. Fui uma idiota, quando voltei para a vida do Alex, eu o proibi de beijar aquela mulher e sem me dar conta o desviei do plano dele. Agora eles parecem estranhos e sinceramente, ela tem que ser muito doente para acreditar que ele está esperando-a se divorciar.

— Sorte que ela está realmente doente. Vocês têm alguns dias pela frente, talvez algo aconteça, não perca as esperanças. — Conclui, puxando-a para que ela se levante. — Se você tiver que ir embora, não permita que aquela mulher roube esses dias de vocês, viva intensamente ao lado dele, como se fosse o último dia. — Rebecca abraça-a forte.

— Eu te amo, Susan, muito obrigada por sempre me animar.

— Eu também te amo, amiga. Na verdade, nós te amamos. — Afirma, puxando as mãos da Rebecca para a barriga. — Estou grávida, amiga, de dez semanas. — Rebecca, emocionada, puxa-a para um abraço carinhoso e enche o rosto da amiga de beijos.

— Isso é maravilhoso, um bebezinho. Parabéns, amiga, estou radiante com essa notícia. Que tua gravidez seja um momento mágico. Eu te amo. — Diz, com lágrimas de felicidade escorrendo.

— Obrigada, amiga, estamos transbordando de felicidade. Leandro está incrivelmente animado. Preciso te confessar que várias vezes o peguei encarando o número do Alex. Acredito que ele adoraria contar isso para ele, mas não sabe como fazer. Como você disse, não fomos justos com ele.

— Debaixo daquela armadura que o Alex veste, ele tem um bom coração, talvez, no futuro, ele consiga perdoar a todos nós. Tenho certeza de que ficará radiante quando souber desse bebezinho. — As duas se abraçam emocionadas.

— Que choradeira é essa? — Indaga Luiza, entrando no banheiro.

— Estou um pouco sensível com todos os acontecimentos. — Responde Rebecca, secando as lágrimas. — Mas sua expressão também não está das melhores.

— Aquelas mulheres ficam insuportáveis quando estão embriagadas. Não estou me divertindo, meu humor está péssimo. É complicado ficar sem beber. — Reclama ela, visivelmente irritada.

— E por que você não está beb… — Susan interrompe a fala e leva as mãos à boca. — Ai, meu Deus, você está grávida.

— O quê? — Indaga Rebecca, encarando Luiza. — É sério?

Rebecca e Susan ficam encarando Luiza, aguardando ansiosamente por uma resposta. Ela entra no banheiro e fecha a porta, deixando um clima de surpresa pairando no ar.

— Apenas vocês e a Camila sabem disso. Temos saído casualmente há alguns meses e agora, graças à nossa irresponsabilidade, estamos grávidos. — Resmunga, com um sorriso sem graça.

— Uau, eu nunca imaginei vocês dois juntos. Estou ansiosa para apertar as bochechas do Richard e dar os parabéns. — Rebecca fala animada.

— Nada disso, Rebecca. É crucial que você mantenha o controle. Concordamos em não divulgar isso para ninguém por enquanto. — Adverte Luiza, com uma expressão séria. — Vocês têm ideia do que isso significa? Estou esperando um filho do Richard. — Conclui com uma risada enigmática e as três se envolvem em um abraço coletivo, transbordando felicidade.

Após a comoção no banheiro se acalmar, elas retornam à mesa para celebrar a despedida de solteiro da amiga. Rebecca se esforça para dissipar qualquer tensão entre ela, Christine e Bruna, preservando a atmosfera positiva da noite. Juntas, elas desfrutam de uma noite agradável e divertida entre amigas. Ao voltar para seu apartamento, Rebecca depara-se com Alex no sofá e corre para seus braços, entregando-se a um beijo apaixonado.

— Alex, que tal fazermos um bebê? Quero engravidar, faça isso agora. — Ordena, com a língua um pouco enrolada, revelando os efeitos da embriaguez.

— Deus! Sempre me submetendo a provações. Rebecca, você está completamente embriagada. — Afirma, levantando-a nos braços com cuidado e guiando-a até o banheiro.

— E daí? Você é meu marido, entregue-se a mim e me presenteie com um bebezinho. — Diz com um sorriso malicioso, provocando risadas em Alex.

— Nenhuma dessas coisas vai acontecer esta noite. Eu te avisei para não voltar assim. — Declara, despindo-a, enquanto a banheira se enche.

— Você está desistindo de nós, Alex. Então, me dê mais um motivo para continuar, além dos que eu já tenho. — Sussurra, deixando as lágrimas percorrerem seu rosto, revelando sua vulnerabilidade.

— Minha menina, vai ficar tudo bem. — Afirma, beijando-lhe a cabeça e conduzindo-a com delicadeza para a banheira.

Rebecca está imersa em uma mistura de sentimentos, ora chorando pela despedida iminente, ora suplicando como uma criança que anseia por um doce. Ao concluir o banho, Alex a carrega nos braços até o quarto. Vestindo-a com um pijama, ele a acomoda na cama e com ternura, começa a secar seus cabelos, gesto que repete sempre que ela se recusa ou está embriagada. Os toques carregados de afeto e o calor suave do secador criam um momento íntimo e sensível.

Alex arruma tudo ao finalizar, deitando-se ao lado dela e abraçando-a. O calor humano e a segurança desse gesto gradualmente acalmam Rebecca, levando-a a um sono profundo, onde as emoções se acalmam suavemente.

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