Entrar Via

ENTRE O AMOR E O ÓDIO romance Capítulo 208

Aqueles poucos segundos de dor se esticam como uma eternidade diante dos olhos de todos os presentes. O que ecoa no ambiente são os choros profundos dos amigos e familiares, a agonia dos julgamentos equivocados os mantém presos, empurrando-os para um precipício de sofrimento onde o perdão parece inalcançável.

— Traga-me um laringoscópio, um tubo endotraqueal e um ventilador mecânico! — Grita Richard desesperado, quebrando o silêncio pesado do ambiente. — Ele tem sinal, ele tem sinal, eu ouvi os batimentos! — Afirma gritando com uma enfermeira, injetando um lampejo de esperança para todos.

A enfermeira, com agilidade, corre e entrega todos os itens solicitados para Richard, que, com as mãos trêmulas, inicia o procedimento em Alex. Outro médico, percebendo o nervosismo dele, o afasta e ali, no chão da recepção, inicia o processo de intubação em Alex. Ao terminar o procedimento, eles colocam Alex numa maca e correm em direção às salas de emergência. Richard é proibido de os acompanhar devido à sua agitação e nervosismo.

— Diga que ele ficará bem, por favor. — Implora Luiza, agarrando Richard com firmeza pelo colarinho.

— Eu não sei. — Sussurra entre lágrimas, envolvendo-a num abraço que parece conter todo o desespero do momento.

A recepção é tomada por um silêncio pesado, onde os vestígios de sangue servem como lembranças cruéis dos minutos pavorosos que acabaram de se desenrolar. Nicole, assim como Alex, recebe atendimento na recepção, sendo encaminhada para a emergência. A madrugada arrasta-se como um fardo opressivo de incerteza, enquanto os amigos enfrentam o desconhecido. Com os primeiros raios de luz da manhã, um médico surge na recepção e se aproxima do grupo, como se carregasse consigo a esperança que todos desejam desesperadamente.

— Então, Dr. Palmer, quais são as notícias? — Indaga Richard, esfregando ansiosamente as mãos.

— A Srta. Jenkins mostrou uma resistência incrível durante a cirurgia. A bala não atingiu órgãos vitais. A intensidade da dor levou-a à síncope várias vezes, mas conseguimos estabilizá-la. Ela está na UTI, sedada e sob observação. Superará isso e em breve estará de volta com vocês.

Naquele momento, amigos e familiares se envolvem em abraços, a euforia diante da notícia positiva inflama os corações de todos.

Após uma interminável espera, exaurido pela noite aterrorizante e ansioso por notícias, Richard adentra as salas de emergência para presenciar o desfecho das cirurgias cruciais às quais, Alex foi submetido. Quando o médico finalmente emerge, entrega o laudo a Richard, que, ao concluir a leitura, passa a mão pelo cabelo, plenamente consciente da gravidade da situação.

— Fizemos tudo que estava ao nosso alcance, Richard. Enfrentamos inúmeras complicações, e a hipóxia que o Sr. Baker sofreu antes da morte, agravou consideravelmente o quadro. Agora, só nos resta esperar, torcendo para que ele reaja. — Informa, colocando a mão no ombro de Richard em um gesto de apoio. — Sinceramente, é um verdadeiro milagre que ele ainda esteja vivo.

— Eu sei. — Murmura Richard, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Obrigado, Dr. Moreau. — Agradece, enquanto observa Alex intubado e conectado a aparelhos que monitoram suas atividades neurológicas e sinais vitais, numa cena que reflete a luta intensa pela vida.

Richard, recobrando-se, dirige-se ao quarto dos gêmeos. Observa as duas crianças adormecidas sob o olhar vigilante de Maria, que passou a noite oferecendo companhia aos filhos do casal, a quem ama como se fossem seus próprios filhos.

— Sr. Miller, você já tem notícias dos meus filhos? — Indaga Maria, ao perceber a entrada de Richard no quarto.

— Sim, Alex acaba de sair da cirurgia. Agora, tudo depende dele. — Responde, com um leve suspiro. — Rebecca está em observação, mas ficará bem.

— Graças a Deus. — Expressa, alegre ao receber aquela notícia.

— Mais tarde, esses pequenos receberão alta. Eles ficarão com a senhora?

— Não, não, não, não, você está mentindo. Me leve até ele, Richard, eu quero ficar com ele. — Ordena, gritando desesperada com a dor que está sentindo. — Por favor, me leve até lá. Você está mentindo para mim, Alex está com os nossos bebês, ele disse que ficaria tudo bem. Por que você está me magoando desse jeito? — Richard envolve-a em um abraço, enquanto ela chora desesperadamente. — Por favor, Richard, diga que é mentira, diga para o Alex que acordei e estou esperando por ele. — Sussurra, sentindo o seu coração despedaçar em agonia, cada palavra carregada de uma intensidade de dor que ecoa no quarto do hospital.

— Becca, eu gostaria, mas você não pode ir até curar suas feridas completamente. Alex está isolado, ainda não pode receber visitas, ele está na UTI. Se recupere, e eu te levo lá, antes não.

— Por que isso está acontecendo, Richard? Traga o meu amor para mim, por favor, Richard. — Implora, sentindo a dor percorrer seu corpo. Sua dor física é insignificante diante da dor emocional que a assola naquele momento. — Ou pelo menos me leve até ele, permita-me ficar com ele, Richard, eu o deixei tempo demais sozinho. Por favor, não o deixe mais sozinho. — Implora em meio ao pranto.

— Prometo que assim que ele for liberado para visitas, se você estiver bem, eu te levarei para ficar com ele. — Afirma Richard, dando um beijo na cabeça dela.

Rebecca mergulha nas profundezas da tristeza, lágrimas deslizando de maneira incontrolável pelo seu rosto. Ela se vê impossibilitada de estar ao lado do homem que ama incondicionalmente, aquele que sempre foi seu porto seguro, permitindo que ela se transformasse na mulher que é hoje. Nada parece capaz de aliviar a dor que a consome, e Richard toma a decisão de administrar um calmante para tentar suavizar seu sofrimento.

À medida que o dia avança, Richard autoriza as visitas ao quarto de Rebecca, que se enche rapidamente com a presença de amigos e familiares, todos buscando oferecer consolo durante esse momento de profunda tristeza. Rebecca se encontra imersa em uma melancolia profunda, incapaz de reagir diante de qualquer tentativa de interação, entregando-se ao pranto incessante.

Seus olhos, em meio à névoa das lágrimas, capturam um lampejo de esperança ao ver seus filhos adentrando o quarto, nos braços dos avós. O ambiente, antes impregnado por uma pesada atmosfera de tristeza, é momentaneamente iluminado pela presença das crianças.

— Papai nos salvou, meus amores. Ele nos ama com todo o coração. Ficará tudo bem, ele voltará para nós. Papai disse que ficaria tudo bem e o papai não mente, ele não mentiu para mamãe. Daqui a pouco, ele estará conosco. — Murmura, chorando intensamente, envolvendo os filhos com carinho, permitindo que as lágrimas escorram. — Acabou, o filme de terror terminou. Ficaremos bem. Ele nos ama profundamente e voltará para nós. Moraremos na nossa casa. Vocês vão adorar, meus amores. Papai logo estará de volta. — Todos no quarto se entregam à envolvente atmosfera de emoções, enquanto testemunham aquela cena comovente.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: ENTRE O AMOR E O ÓDIO