Ao regressar ao hospital, Rebecca decidiu conduzir seus filhos diariamente para que aproveitassem ao máximo o tempo na presença de Alex, assegurando que a memória dele jamais se apagasse. Observar os pequenos se divertindo pelo quarto e em alguns momentos, trocando palavras carinhosas com o pai, palavras que, infelizmente, não recebiam resposta, apertavam o coração de Rebecca. Em determinados momentos, um sorriso surgia em seu rosto ao imaginar o quanto Alex a repreenderia por quebrar a rotina das crianças. A cada novo dia, um fragmento é retirado do seu coração. O ambiente está envolvido com uma mistura de alegria e melancolia, enquanto a família se envolve em momentos que parecem eternos, criando memórias preciosas destinadas a resistir ao tempo.
Após duas semanas do aniversário de Alex, o calendário assume um caráter sombrio, transformando-se em uma dolorosa contagem regressiva do que está por vir. Imersa em seus pensamentos, Rebecca observa a paisagem lá fora, enquanto os gêmeos estão sentados ao lado do pai, um de cada lado da cama. O cenário, apesar de sua aparência externa tranquila, é permeado por uma atmosfera densa de emoções contidas.
— Papai, vamos brincar? — Pede Nicolas, entre risos contagiantes.
— Não, Nicolas, papai contará uma historinha. — Resmunga Olga, sua doce voz ecoando no quarto.
— O papai dormiu por muito tempo. — Resmunga Nicolas. — Assim, papai vai dormir novamente.
— Quero uma historinha, Nicolas. — Insiste, segurando a mão de Alex.
Rebecca volta a si, mergulhando nas conversas encantadoras dos filhos. Seu coração se despedaça com a inocência deles e ela vira-se para contemplar aquele momento precioso. Ela acha extraordinário o quão inteligentes são e mesmo tão jovens, é visível que serão tão brilhantes quanto o pai. Mais uma vez, ela recorda o quanto Alex sempre foi assertivo, reconhecendo que a creche teve um papel crucial no desenvolvimento de seus filhos. O quarto é preenchido não apenas pelo som das vozes infantis, mas também pela melancolia silenciosa que paira sobre Rebecca, que absorve cada momento com uma mistura de amor e tristeza.
— Te amamos, papai. — Sussurram em uníssono.
Rebecca solta um suspiro, deixando as lágrimas deslizarem suavemente por seus olhos. Ao se aproximar, seu corpo é capturado pelo olhar fixo de Alex nas crianças à sua frente. Suas pernas cederam e ela se apoia na cama, totalmente absorvida pelo que testemunha. O azul profundo daquele olhar a envolve, seu coração pulsa freneticamente, como se estivesse prestes a escapar do peito. Em um impulso, ela sai correndo do quarto e invade a sala de Richard sem bater.
— Richard, rápido! É ele, Richard, é ele. Ele abriu os olhos. — Grita eufórica, retornando apressadamente para o quarto. A emoção transborda em seu rosto, lágrimas de felicidade se misturam a sorrisos de incredulidade.
— O quê? — Richard indaga, atônito, seus olhos encontram Leandro, que o acompanha com uma expressão séria. Movidos por uma urgência, os dois correm decididamente até o quarto de Alex, como se estivessem perseguindo a própria manifestação da esperança que se desdobrava diante deles.
Ao retornar ao quarto, Rebecca vislumbra os gêmeos recostados sobre o peito de Alex. Ao se aproximar, seu passo vacila ao notar que os olhos de Alex estão novamente cerrados. Uma onda de medo e incerteza a envolve, transformando as lágrimas de felicidade em torrentes de preocupação. Richard entra no aposento, seu olhar se cruza com o de Leandro, ambos compartilhando uma silenciosa inquietação de que talvez os acontecimentos anteriores fossem apenas um desejo de Rebecca.
— Eu não estou entendendo. — Murmura Rebecca, lágrimas fluindo sem controle. — Ele estava com os olhos abertos. — Afirma, aproximando-se de Alex e segurando sua mão. — Meu amor, acorda. Por favor, abre os olhos novamente. — Implora, enquanto Leandro a envolve em um abraço compreensivo, afastando-a suavemente da cama para permitir que Richard intervenha.
— Leandro, pode dar uma ajudinha com eles? — Solicita Richard, referindo-se às crianças. Antes que Leandro possa responder, sua atenção é capturada pela pequena Olga.
— Oi, papai. — Balbucia Olga, seu olhar fixo em Alex.
A voz doce de Olga envolve os ouvidos de Rebecca, percorrendo seu corpo e acelerando os batimentos de seu coração. Ela se aproxima apressadamente da cama, um arrepio percorre todo o seu corpo ao se deparar novamente com os olhos azuis de Alex. Rebecca segura a mão dele, mantendo o olhar fixo como se buscasse uma certeza de que não estava sonhando. Após breves segundos de incredulidade, Richard reage e chama a equipe médica de Alex, enquanto inicia uma minuciosa avaliação do estado de saúde.
— Rebecca, por favor, preciso de espaço. Me deixe trabalhar. — Pede, orientando-a a se afastar, enquanto ele concentra sua atenção em Alex.
— Meu amor, estamos aqui com você, não vai embora. Fique aqui conosco. — Sussurra entre lágrimas, segurando Olga no colo, enquanto Leandro acolhe Nicolas, abrindo espaço para que Richard examine Alex.
Em poucos minutos, o quarto é tomado por uma equipe médica. A contragosto, Rebecca deixa o recinto com os filhos, guiada por Leandro, proporcionando espaço para os médicos atuarem. Leandro informa aos amigos sobre a notícia de que Alex abriu os olhos, e gradualmente, a recepção é invadida por amigos e familiares. Todos, emocionados, abraçam Rebecca, que chora sentada com seus filhos nos braços. A ansiedade no ambiente se intensifica à medida que as horas se arrastam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENTRE O AMOR E O ÓDIO
Por que está sendo cobrado pra liberar capítulos? Pois no booktrk diz que a leitura é gratuita....
Também estou amando esse romance estou lendo ele no taplivros estou no capítulo 135, pensei que iria encontrar todos os capítulos disponíveis aqui....
Obrigada pela leitura,quero muito saber como termina e o que acontece com aquela megera de amiga e a maluca da Nicole....
Gratidão pela leitura .... por favor mais capítulos...
Quando vai ter a continuação do livro? Ou termina aqui ?...