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ENTRE O AMOR E O ÓDIO romance Capítulo 214

Ao regressar ao hospital, Rebecca decidiu conduzir seus filhos diariamente para que aproveitassem ao máximo o tempo na presença de Alex, assegurando que a memória dele jamais se apagasse. Observar os pequenos se divertindo pelo quarto e em alguns momentos, trocando palavras carinhosas com o pai, palavras que, infelizmente, não recebiam resposta, apertavam o coração de Rebecca. Em determinados momentos, um sorriso surgia em seu rosto ao imaginar o quanto Alex a repreenderia por quebrar a rotina das crianças. A cada novo dia, um fragmento é retirado do seu coração. O ambiente está envolvido com uma mistura de alegria e melancolia, enquanto a família se envolve em momentos que parecem eternos, criando memórias preciosas destinadas a resistir ao tempo.

Após duas semanas do aniversário de Alex, o calendário assume um caráter sombrio, transformando-se em uma dolorosa contagem regressiva do que está por vir. Imersa em seus pensamentos, Rebecca observa a paisagem lá fora, enquanto os gêmeos estão sentados ao lado do pai, um de cada lado da cama. O cenário, apesar de sua aparência externa tranquila, é permeado por uma atmosfera densa de emoções contidas.

— Papai, vamos brincar? — Pede Nicolas, entre risos contagiantes.

— Não, Nicolas, papai contará uma historinha. — Resmunga Olga, sua doce voz ecoando no quarto.

— O papai dormiu por muito tempo. — Resmunga Nicolas. — Assim, papai vai dormir novamente.

— Quero uma historinha, Nicolas. — Insiste, segurando a mão de Alex.

Rebecca volta a si, mergulhando nas conversas encantadoras dos filhos. Seu coração se despedaça com a inocência deles e ela vira-se para contemplar aquele momento precioso. Ela acha extraordinário o quão inteligentes são e mesmo tão jovens, é visível que serão tão brilhantes quanto o pai. Mais uma vez, ela recorda o quanto Alex sempre foi assertivo, reconhecendo que a creche teve um papel crucial no desenvolvimento de seus filhos. O quarto é preenchido não apenas pelo som das vozes infantis, mas também pela melancolia silenciosa que paira sobre Rebecca, que absorve cada momento com uma mistura de amor e tristeza.

— Te amamos, papai. — Sussurram em uníssono.

Rebecca solta um suspiro, deixando as lágrimas deslizarem suavemente por seus olhos. Ao se aproximar, seu corpo é capturado pelo olhar fixo de Alex nas crianças à sua frente. Suas pernas cederam e ela se apoia na cama, totalmente absorvida pelo que testemunha. O azul profundo daquele olhar a envolve, seu coração pulsa freneticamente, como se estivesse prestes a escapar do peito. Em um impulso, ela sai correndo do quarto e invade a sala de Richard sem bater.

— Richard, rápido! É ele, Richard, é ele. Ele abriu os olhos. — Grita eufórica, retornando apressadamente para o quarto. A emoção transborda em seu rosto, lágrimas de felicidade se misturam a sorrisos de incredulidade.

— O quê? — Richard indaga, atônito, seus olhos encontram Leandro, que o acompanha com uma expressão séria. Movidos por uma urgência, os dois correm decididamente até o quarto de Alex, como se estivessem perseguindo a própria manifestação da esperança que se desdobrava diante deles.

Ao retornar ao quarto, Rebecca vislumbra os gêmeos recostados sobre o peito de Alex. Ao se aproximar, seu passo vacila ao notar que os olhos de Alex estão novamente cerrados. Uma onda de medo e incerteza a envolve, transformando as lágrimas de felicidade em torrentes de preocupação. Richard entra no aposento, seu olhar se cruza com o de Leandro, ambos compartilhando uma silenciosa inquietação de que talvez os acontecimentos anteriores fossem apenas um desejo de Rebecca.

— Eu não estou entendendo. — Murmura Rebecca, lágrimas fluindo sem controle. — Ele estava com os olhos abertos. — Afirma, aproximando-se de Alex e segurando sua mão. — Meu amor, acorda. Por favor, abre os olhos novamente. — Implora, enquanto Leandro a envolve em um abraço compreensivo, afastando-a suavemente da cama para permitir que Richard intervenha.

— Leandro, pode dar uma ajudinha com eles? — Solicita Richard, referindo-se às crianças. Antes que Leandro possa responder, sua atenção é capturada pela pequena Olga.

— Oi, papai. — Balbucia Olga, seu olhar fixo em Alex.

A voz doce de Olga envolve os ouvidos de Rebecca, percorrendo seu corpo e acelerando os batimentos de seu coração. Ela se aproxima apressadamente da cama, um arrepio percorre todo o seu corpo ao se deparar novamente com os olhos azuis de Alex. Rebecca segura a mão dele, mantendo o olhar fixo como se buscasse uma certeza de que não estava sonhando. Após breves segundos de incredulidade, Richard reage e chama a equipe médica de Alex, enquanto inicia uma minuciosa avaliação do estado de saúde.

— Rebecca, por favor, preciso de espaço. Me deixe trabalhar. — Pede, orientando-a a se afastar, enquanto ele concentra sua atenção em Alex.

— Meu amor, estamos aqui com você, não vai embora. Fique aqui conosco. — Sussurra entre lágrimas, segurando Olga no colo, enquanto Leandro acolhe Nicolas, abrindo espaço para que Richard examine Alex.

Em poucos minutos, o quarto é tomado por uma equipe médica. A contragosto, Rebecca deixa o recinto com os filhos, guiada por Leandro, proporcionando espaço para os médicos atuarem. Leandro informa aos amigos sobre a notícia de que Alex abriu os olhos, e gradualmente, a recepção é invadida por amigos e familiares. Todos, emocionados, abraçam Rebecca, que chora sentada com seus filhos nos braços. A ansiedade no ambiente se intensifica à medida que as horas se arrastam.

— Tenho boas notícias para compartilhar. Após uma avaliação minuciosa, ficou claro que o Sr. Baker não apresenta danos significativos decorrentes do período em que esteve em coma. Os exames neurológicos, de imagem e outros indicadores revelaram resultados muito positivos. Isso significa que o Sr. Baker não apresenta comprometimento grave das funções cerebrais, movimentos ou outras funções vitais. Estamos otimistas em relação à sua recuperação contínua. No entanto, é crucial continuar monitorando de perto durante este período de recuperação. Estamos aqui para fornecer todo o apoio necessário e responder a quaisquer perguntas que você possa ter. — Informa Phillip Carter. — Por enquanto, devido às nossas análises, o Sr. Baker permanecerá intubado até a conclusão de todos os exames. Voltaremos à restrição de visitas, enquanto ele se recupera. Apenas a esposa e filhos terão permissão para entrar no quarto até ele deixar a unidade de terapia intensiva.

Naquele momento, a recepção pulsava de emoção, com amigos e familiares compartilhando abraços diante da notícia positiva. Rebecca, aliviada e emocionada, derramava lágrimas nos braços reconfortantes de Richard. Finalmente, após quase perder as esperanças, Alex voltou para eles.

— Meu amor voltou para mim, Richard. Ele voltou. — Sussurra emocionada, abraçada ao amigo. — Posso ficar com ele agora? — Pergunta, ansiando estar ao lado do homem que ama.

— Com certeza, vou te acompanhar até lá. — Responde, exibindo sorriso animado.

— Agradeço a todos por estarem aqui. Amo cada um de vocês. — Expressa, emocionada, manifestando sua gratidão aos amigos e familiares. Em seguida, ela segue Richard até o quarto de Alex.

À medida que a recepção se esvazia gradativamente, cada pessoa leva consigo a alegria de saber que, após tanto tempo, Alex voltou. Todos compartilham o desejo sincero de uma recuperação tranquila, ansiosos para testemunhar Alex retomando sua vida cotidiana.

No quarto, ao ficar sozinha com Alex, Rebecca o observa enquanto ele dorme e deita-se ao seu lado, acariciando gentilmente seu rosto. Permanece ali por horas, apenas o contemplando. Quando ele abre finalmente os olhos novamente, ela sorri animada e delicadamente beija sua bochecha.

— Meu amor, como senti falta desse olhar. Tenho tantas histórias para compartilhar contigo, mal posso esperar para o silêncio ser preenchido com o som da tua voz. — Expressa, acomodando-se na cama enquanto o observa atentamente. — Nossos filhos estão crescendo tão rápido, são tão inteligentes, assim como você. Irá se encantar com cada detalhe deles. Organizei tudo para você, meu amor. Estou exausta, você terá que me compensar por isso. Você realmente me assustou, sabia? Prometa que não fará isso de novo. Imagino que agora esteja pensando: “Essa mulher não para de falar”. Se pudesse, aposto que me beijaria só para recuperar o silêncio, como costumava fazer, não é mesmo? — Questiona, mantendo seu olhar no dele. — Eu te amo, Alex Baker. Se ousar me abandonar novamente, prometo que na sua lápide estará escrito: “Aqui repousa o desprezível Alex Shaw”. — Sorri, divertida, antes de deitar a cabeça no peito dele. Rebecca tem certeza de que ele teria rido com essa última frase se pudesse.

Rebecca e Alex trocam olhares enquanto ela continua a acariciar seu rosto. À medida que o cansaço a envolve, ela adormece com a convicção de que os dias que se seguirão serão melhores, pois as tristezas e dores se tornarão parte do passado.

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