Roberto colocou as marmitas na mesa, precisamente duas, uma para ele e outra para Ângela.
Ele abriu as embalagens e, embora os ingredientes fossem os mesmos em ambas, notou que uma continha pimenta e a outra não. Com uma expressão de confusão, ele questionou:
— Por que você adicionou pimenta?
Jaqueline, cujos pensamentos estavam desordenados, foi interrompida pela pergunta e respondeu distraidamente:
— Coloquei sem querer. Se não quiser, pode deixar de lado.
Percebendo o tom indiferente de Jaqueline, Roberto sentiu que algo não estava certo, mas considerou que nem ele nem Jaque gostavam de pimenta, então provavelmente foi um engano.
— Sra. Santana, você já almoçou? — Indagou Ângela com cortesia, seu rosto exibia sinais de cansaço e fragilidade.
— Ela já comeu. — Interveio Roberto por ela.
Jaqueline sempre preparava o almoço em casa, então Roberto presumiu que naquele dia não seria diferente.
Jaqueline confirmou, de forma sucinta:
— Sim, já comi.
Ela costumava se preocupar que comer com ele pudesse atrapalhar seu trabalho, então ela sempre ia embora logo após entregar as marmitas.
Na realidade, ela sempre estava com fome quando levava a comida para ele e voltava para casa com fome.
— Que bom. — Ângela sorriu gentilmente. — Obrigada pelo almoço que você preparou. Parece delicioso, você realmente se esforçou.
— Vamos comer antes que esfrie. — Roberto colocou a marmita sem pimenta na frente de Ângela. — Coma esta.
Ângela olhou para a marmita com pimenta e propôs:
— Roberto, você não pode comer pimenta. Que tal eu comer esta?
— Não. — Roberto respondeu seriamente. — Você não está bem de saúde, não deve comer algo tão picante.

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