Os dela deviam ter sido jogados fora faz tempo.
Ela pegou um par. O marido já tinha sido usado por outra, não tinha problema ela usar o chinelo de outra.
Ela bocejou, com um pouco de sono mesmo.
Ela perguntou a Bruno ali do lado: — Cadê a minha mala?
Ela tinha pedido para mandarem do aeroporto antes, mas a mala não estava lá embaixo agora.
— Mandei levarem a mala da senhora para o quarto principal.
Beatriz não entendeu e pensou que Bruno não sabia ler a situação. Ela e Lorenzo tinham tido uma briga feia, será que ele como assistente não sabia?
Mandar as coisas dela para o quarto principal não ia irritar o Lorenzo?
Ela suspirou, levantou a mão e deu uns tapinhas no ombro de Bruno: — Você precisa treinar mais para aprender a ler o ambiente.
Bruno acompanhava Lorenzo há anos. Ao ouvir isso, abaixou os cílios: — Talvez seja exatamente porque eu sei ler muito bem, senhora.
Beatriz não quis dar trela para aquilo e subiu as escadas.
Atrás, Sophia entrou ajudando Lorenzo e colocou ele no sofá com cuidado.
Ela olhou para o rosto dele quase com ganância e engoliu em seco.
Lorenzo abriu os olhos devagar, com a testa franzida. Os dedos longos massagearam o meio das sobrancelhas, e os ossos do pulso estavam tensos.
Sophia aproveitou para falar: — Lorenzo, eu posso ficar aqui hoje?
Ele respondeu com um "hum" e abaixou os cílios.
Os olhos de Sophia ficaram cheios de surpresa: — Então eu ajudo você a subir?
— Hum.
Ela segurou o braço dele depressa. Quando chegaram ao quarto principal, viu Beatriz saindo com uma mala grande.
Os três ficaram cara a cara.
O rosto de Sophia se encheu de orgulho: — O Lorenzo tá bêbado, vou colocar ele pra descansar.
Ela achou que Beatriz ia ter um ataque, afinal, antes ela controlava Lorenzo muito bem.


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