Beatriz não queria fazer confusão ali. Aguentou por alguns minutos, mas a boca se mexendo em seu pescoço ficou ousada demais.
Ela levantou a cabeça e falou para o banco da frente: — Para o carro.
O assistente parou o carro devagar e olhou para ela no retrovisor: — Senhora?
Fazia três anos, e o assistente de Lorenzo ainda a chamava de senhora. Isso deixou Beatriz surpresa.
Ela abriu a porta, levantou a mão e empurrou Lorenzo: — O espaço aqui atrás é pequeno, vou sentar na frente.
A mão de Lorenzo apertava muito, como se fosse quebrar a cintura dela.
Beatriz usou um pouco de força, e até quando soltou os dedos dele, não teve pena.
Ela se dessensibilizou no exterior por três anos, rezou pelo filho por três anos. Fazia tempo que ela não ia mais cair na rede dele.
Lorenzo foi empurrado por ela sem hesitar.
A luz do carro acendeu na hora e Sophia viu as marcas no pescoço de Beatriz.
Eram fortes e tinham acabado de ser feitas.
Os olhos dela encolheram, achando que era imaginação.
Os punhos dela se fecharam com força e ela trincou os dentes.
Mas Beatriz só levantou a mão, esfregou o próprio pescoço, franziu a testa duas vezes e foi para a frente.
As unhas de Sophia cravaram na palma da mão. Ela não entendia por que Beatriz tinha voltado.
Voltou para fazer o quê?
Ninguém na Capital gostava dela. Até o marido que deveria estar do lado dela nunca acreditou nela no passado.
Voltar era passar vergonha de propósito.
Beatriz sentou no banco do passageiro. Ela ainda parecia muito cansada: — Pode dirigir.
— Sim, senhora.
O assistente Bruno olhou para o seu chefe pelo retrovisor.
O chefe aguentava bem a bebida, não devia estar tão bêbado e causando problemas.
Talvez ele tivesse bebido muito mesmo hoje.


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