Sophia puxou a gola para cima bem rápido: — Tinha muito mosquito à noite. Acordei várias vezes de madrugada porque me picaram.
Lorenzo parecia não ter fome também. Ele se levantou e falou com Bruno: — Mande acender um incenso repelente lá fora no quintal.
Bruno acenou e foi atrás dele.
Os dois entraram no carro, com Bruno dirigindo na frente. Ele olhou para a pessoa no banco de trás pelo retrovisor.
A senhora falou em divórcio e o chefe não pareceu ter reação?
Bruno estava com ele há anos, e mesmo assim tinha horas que não sabia o que ele pensava.
Todos diziam que Lorenzo não mostrava quem era, e achavam que para Bruno estar do lado dele há tanto tempo, ele devia ser bom em adivinhar o que o chefe queria.
Mas Bruno estava perdido. Ele segurou o volante com as duas mãos e perguntou: — Chefe, quer que eu descubra onde a senhora trabalha agora?
Lorenzo estava com um terno escuro. Desde que entrou no carro, ligou o computador e colocou no colo. Ele era sempre assim.
Nunca perdia o controle.
Aquele jeito calmo e nobre tinha sido criado aos poucos com recursos de ponta durante anos.
— Não precisa.
O tom dele foi calmo, e nem a velocidade de apertar as teclas parou.
Bruno logo percebeu que não sabia nada sobre adivinhar o que o chefe queria.
*
Beatriz estudou direito há alguns anos. Depois que saiu do país, achou um professor e entrou de cabeça no ramo do jornalismo.
O caso internacional de tráfico de crianças que mais chamou atenção há dois anos foi a verdade que ela arriscou a vida para gravar depois de três meses disfarçada.
O professor dizia que ela tinha uma energia de quem não se importava com a própria vida, o que faltava na maioria dos repórteres.
Ser repórter era mostrar a verdade. Não importava como a verdade era cruel, não dava para esconder de propósito.
Três anos atrás, Beatriz não fazia muito tempo que tinha perdido o bebê. Ainda soube que não era filha da Família Almeida, e sim uma bastarda sem nome. O marido, que mais devia ficar do lado dela quando ela perdeu o filho, só abraçou Sophia machucada e foi embora, deixando-a no chão sangrando.
Essas pancadas todas juntas fizeram a voz dela sumir, não conseguia falar.
Foi nesse estado que ela encontrou o professor. Ele disse que, se ela não dava valor à própria vida, devia fazer coisas que arriscavam a vida para equilibrar.
O professor deu algumas fotos de crianças que sofriam maus-tratos. — Essas crianças tinham o corpo inteiro quando foram levadas. Qualquer reação e elas tinham braços e pernas quebrados, largadas na rua para pedir esmola. As obedientes eram vendidas. Você quase virou mãe, deve sentir alguma coisa, não é?



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa por Contrato, Estranha por Escolha