POV CELESTE
—Vou deixá-los a sós. — disse Lillian antes de sair.
Theodore e eu continuamos nos encarando. Eu não conseguia desviar o olhar dele. Seus olhos cativantes me mantinham presa no lugar. Ele me observava atentamente.
Ainda era o mesmo depois de quatro anos, um homem muito bonito, com cabelos dourados e olhos ternos e sonhadores. O homem que eu admirava e venerava como um herói. Mas agora parecia mais confiante, mais sábio e muito respeitável.
Ele estendeu a mão, e eu, impulsivamente, coloquei a minha sobre a dele. Então, num instante, ele me puxou para o círculo de seus braços.
Fiquei sem fôlego, como se tivesse dezoito anos novamente.
—Sinto sua falta — disse Theodore com voz grave. Ele inclinou a cabeça e beijou minha bochecha.
—Eu... eu também sinto sua falta.
Ele me deu um sorriso satisfeito e então me abraçou com força. Envolvi sua cintura com meus braços e pressionei meu rosto contra seu peito. Ficamos assim, abraçados, por alguns minutos.
Comecei a me emocionar, mas me esforcei para me manter forte e segurei as lágrimas. Lágrimas de sentimentos confusos: alegria por vê-lo novamente, tristeza pelos anos de sofrimento por tê-lo perdido como meu primeiro amor e raiva por seu desaparecimento repentino da minha vida.
Ele afrouxou o abraço e me levou para o outro lado da varanda.
—Eu estava certo. Você se tornou uma mulher incrível.
Eu sabia que estava corando. De repente, senti meu rosto esquentar como se estivesse em um micro-ondas. Lentamente, me afastei de seus braços e me apoiei no corrimão da varanda.
—Você está absolutamente deslumbrante, Ruiva. Nunca vi ninguém tão linda quanto você — disse ele, estudando meu rosto com seu olhar enigmático por mais um instante. Então, baixou os olhos para os meus lábios e sua expressão de repente ficou sombria. —Você vai se casar.
O tom dele era mais uma acusação do que uma afirmação.
—Sim — respondi num sussurro suave. Brinquei com a ponta dos dedos no meu anel de noivado, esfregando o brilhante diamante. —E você acabou de se casar... esta manhã.
Um músculo em sua mandíbula se contraiu. Sua expressão ficou fechada.
—Não, eu não me casei.
—Não? — Meu corpo se enrijeceu de surpresa. Meu Deus, ele não se casou. Senti que meu coração estava prestes a explodir de... alegria? Tristeza? Amargura? Eu não sabia. Será que estava esperando outra chance com ele?
—Terminei com ela há alguns dias. Não podia seguir adiante com o casamento.
—Por que fez isso?
—Porque todo esse tempo eu estava enganando Rosie e a mim mesmo — rosnou como um animal ferido.
—O que você quer dizer? Não entendo.
—Você não entenderia se eu dissesse agora — respondeu bruscamente.
Assenti, sentindo-me magoada: ele estava me deixando de lado de novo, como fez quatro anos atrás. Ele não confiava em mim para compartilhar seus segredos.
—Desculpe, não queria ser intrometida. Só quero ajudar.
—Não, não se sinta mal. Não estou bravo com você. Estou furioso comigo mesmo... por não ser honesto sobre o que realmente sinto. — Ele ficou diante de mim e me olhou intensamente com olhos sombrios. Então, sua mão tocou minha bochecha num carinho suave. —Ruiva, me diga a verdade, você está apaixonada por ele?

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