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Esposa por contrato romance Capítulo 195

POV CARLA

Eram oito da noite e eu estava no Skype, conversando por videochamada com Wade. Ele mostrou o quarto girando rapidamente o notebook. Embora não desse para ver muito bem, consegui perceber o quanto era grande e bonito.

— Está tudo bagunçado aqui. Vou arrumar depois e amanhã te mostro meu quarto — disse, pegando coisas do chão: a mochila, uma calça e alguns sapatos.

— Você não precisa fazer isso por mim.

— Não... eu quero fazer — disse ele, jogando uma camiseta para o lado. — Eu costumo limpar meu quarto com frequência. Só que ultimamente estive muito ocupado.

— Você limpa seu quarto?

— Sim, eu. Minha irmã e eu limpamos nossos quartos. Minha mãe nos ensinou desde pequenos, senão meu pai grita: "Não criei filhos preguiçosos!"

Fiquei surpresa por ele ainda fazer tarefas domésticas, mesmo tendo tantos empregados. A mãe dele devia ser incrível.

Ele bateu as mãos para tirar a poeira, sentou-se, apoiou os braços na mesa e se inclinou na minha direção.

— Estava com muita vontade de te ver hoje, mas o Leonidas veio e quis sair com o Ismael. Não consegui dizer não. Mas amanhã te vejo depois do almoço. Pode ser?

— Claro — eu sabia que estava corando. A ideia de vê-lo de novo me deixava muito empolgada. Estava nas nuvens.

— O que você fez hoje? — perguntou.

— Li um livro, vi TV e vídeos no YouTube... naveguei na internet... conversei com amigos. Basicamente, o mesmo de ontem e anteontem.

Ele assentiu, com um ar sério, e recostou-se na cadeira.

— Você falou com o Ismael?

— Ismael? Não muito. Só um “oi” no Messenger do F******k — dei de ombros.

— Ele gosta de você.

— Bom... sempre deixei claro que somos só amigos.

Ele balançou a cabeça e cruzou os braços.

— Ele não entendeu isso. Continua esperando que você seja a namorada dele.

— Ah, é mesmo?

— Sim — disse, desviando o olhar, pensativo, e depois me encarou. — Queria dizer pra ele parar de insistir, porque você já tem namorado.

Aquilo me pegou de surpresa. Namorado? Meu coração disparou.

— Tenho?

Ele me encarou com os olhos bem abertos.

— Sim.

— Quem? — Eu sabia de quem ele falava, mas queria ouvir dele.

— Eu, é claro — respondeu, dando ênfase no "eu".

Quase caí da cadeira quando ele disse isso. A emoção era forte demais. Meu coração batia tão rápido que achei que fosse explodir.

— Desde quando? — consegui perguntar.

Ele passou a mão no cabelo castanho escuro bagunçado.

— Desde ontem à noite... desde outro dia... desde... — gaguejava e dava de ombros, como uma criança tentando explicar que pegou biscoitos escondido.

— Não lembro de você ter me pedido pra ser sua namorada.

Ele sorriu timidamente e coçou o pescoço. Estava vermelho como um tomate.

— Foi culpa minha. Hum... Carla, quer ser minha namorada?

Meu Deus! Fiquei tão tonta que tive que me equilibrar. A emoção era avassaladora. Me belisquei pra ter certeza de que não estava sonhando. Meu Deus! Ele me pediu em namoro!

Olhei para o teto, pensando. Deveria dizer SIM agora? Claro!

— Carla, não quero te pressionar. Vou te pedir de novo amanhã quando te ver. Quero fazer isso do jeito certo. Quero pedir pessoalmente — disse Wade.

Fiquei sem palavras e suspirei fundo. De certa forma, senti alívio.

Era uma sensação nova. Eu me sentia fraca, atordoada, com as mãos trêmulas. Estava com tanto medo de estar tão feliz assim.

Vi a porta atrás de Wade se abrir de repente. Entrou uma adolescente muito bonita, ruiva.

— Ei! Eu disse pra bater na porta — disse Wade olhando pra ela.

— Eu bati.

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