POV CARLA
Eram oito da noite e eu estava no Skype, conversando por videochamada com Wade. Ele mostrou o quarto girando rapidamente o notebook. Embora não desse para ver muito bem, consegui perceber o quanto era grande e bonito.
— Está tudo bagunçado aqui. Vou arrumar depois e amanhã te mostro meu quarto — disse, pegando coisas do chão: a mochila, uma calça e alguns sapatos.
— Você não precisa fazer isso por mim.
— Não... eu quero fazer — disse ele, jogando uma camiseta para o lado. — Eu costumo limpar meu quarto com frequência. Só que ultimamente estive muito ocupado.
— Você limpa seu quarto?
— Sim, eu. Minha irmã e eu limpamos nossos quartos. Minha mãe nos ensinou desde pequenos, senão meu pai grita: "Não criei filhos preguiçosos!"
Fiquei surpresa por ele ainda fazer tarefas domésticas, mesmo tendo tantos empregados. A mãe dele devia ser incrível.
Ele bateu as mãos para tirar a poeira, sentou-se, apoiou os braços na mesa e se inclinou na minha direção.
— Estava com muita vontade de te ver hoje, mas o Leonidas veio e quis sair com o Ismael. Não consegui dizer não. Mas amanhã te vejo depois do almoço. Pode ser?
— Claro — eu sabia que estava corando. A ideia de vê-lo de novo me deixava muito empolgada. Estava nas nuvens.
— O que você fez hoje? — perguntou.
— Li um livro, vi TV e vídeos no YouTube... naveguei na internet... conversei com amigos. Basicamente, o mesmo de ontem e anteontem.
Ele assentiu, com um ar sério, e recostou-se na cadeira.
— Você falou com o Ismael?
— Ismael? Não muito. Só um “oi” no Messenger do F******k — dei de ombros.
— Ele gosta de você.
— Bom... sempre deixei claro que somos só amigos.
Ele balançou a cabeça e cruzou os braços.
— Ele não entendeu isso. Continua esperando que você seja a namorada dele.
— Ah, é mesmo?
— Sim — disse, desviando o olhar, pensativo, e depois me encarou. — Queria dizer pra ele parar de insistir, porque você já tem namorado.
Aquilo me pegou de surpresa. Namorado? Meu coração disparou.
— Tenho?
Ele me encarou com os olhos bem abertos.
— Sim.
— Quem? — Eu sabia de quem ele falava, mas queria ouvir dele.
— Eu, é claro — respondeu, dando ênfase no "eu".
Quase caí da cadeira quando ele disse isso. A emoção era forte demais. Meu coração batia tão rápido que achei que fosse explodir.
— Desde quando? — consegui perguntar.
Ele passou a mão no cabelo castanho escuro bagunçado.
— Desde ontem à noite... desde outro dia... desde... — gaguejava e dava de ombros, como uma criança tentando explicar que pegou biscoitos escondido.
— Não lembro de você ter me pedido pra ser sua namorada.
Ele sorriu timidamente e coçou o pescoço. Estava vermelho como um tomate.
— Foi culpa minha. Hum... Carla, quer ser minha namorada?
Meu Deus! Fiquei tão tonta que tive que me equilibrar. A emoção era avassaladora. Me belisquei pra ter certeza de que não estava sonhando. Meu Deus! Ele me pediu em namoro!
Olhei para o teto, pensando. Deveria dizer SIM agora? Claro!
— Carla, não quero te pressionar. Vou te pedir de novo amanhã quando te ver. Quero fazer isso do jeito certo. Quero pedir pessoalmente — disse Wade.
Fiquei sem palavras e suspirei fundo. De certa forma, senti alívio.
Era uma sensação nova. Eu me sentia fraca, atordoada, com as mãos trêmulas. Estava com tanto medo de estar tão feliz assim.
Vi a porta atrás de Wade se abrir de repente. Entrou uma adolescente muito bonita, ruiva.
— Ei! Eu disse pra bater na porta — disse Wade olhando pra ela.
— Eu bati.

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