POV CELESTE
—Você gosta?
—Sim — Wade lambeu os dedos cobertos de chocolate. — Você faz cupcakes deliciosos, mamãe.
Abracei Wade. Estava tão emocionada de felicidade por vê-lo novamente. Sentia muita falta dele.
—Obrigada. Fico feliz que tenha gostado, meu pequeno. Da próxima vez, faço mais, tá bom?
—Quando você volta, mamãe?
—Ehh... no mês que vem.
—No mês que vem? Não é amanhã?
—Não. Amanhã, não. —Abracei-o de novo. Eu realmente queria poder vê-lo todos os dias e fazer as coisas que toda mãe faz por seu filho: cozinhar para ele, prepará-lo para o banho, ler histórias antes de dormir, ensiná-lo em casa e levá-lo à escola todas as manhãs.
Desde que voltamos da lua de mel, há um mês, Eros e eu estávamos morrendo de saudade de Wade. Mas os Gomez não nos deixavam vê-lo. Sempre havia uma desculpa: iam viajar, tinham parentes em casa, prometeram levar Wade ao zoológico, etc.
E agora que os Gomez permitiram a visita, disseram que só poderíamos vê-lo uma vez por mês. Não gostavam da ideia de que o víssemos com mais frequência porque achavam que isso não seria bom para ele, nem mental nem emocionalmente. Ele ficaria confuso por ter dois pares de pais.
Mas eu sabia do que eles realmente tinham medo. Temiam que o carinho de Wade por eles se transferisse para nós, seus pais biológicos.
Estávamos num parque na Geórgia, fazendo um piquenique. Não podíamos tirar Wade do estado ou os Gomez não iriam gostar. O Sr. Gomez insistiu que deveríamos devolver Wade em três horas.
Nunca tivemos problemas com a esposa do Sr. Gomez. Ela parecia bem simpática e entendia a nossa situação. Mas com ele era difícil conversar. Se pudesse, ele nos manteria longe de Wade. Deixou claro que Wade era um Gomez e nunca seria um Pedrosa.
—Toma, bebe um pouco d’água, Wade, pra não doer sua garganta —. Entreguei-lhe um copo e ele bebeu tudo sem derramar uma gota.
—Aqui estão seus pedidos, jovem: um cachorro-quente no palito e pipoca —. Eros chegou com três corn dogs e um balde de pipoca que comprou de um ambulante no parque.
—Siiim! Me dá... me dá... —. Wade pulou, tentando alcançar os corn dogs e a pipoca.
—Espera, filho, você vai queimar a boca. Esses corn dogs ainda estão quentes. Vou dar pra sua mãe primeiro, tá?
Peguei os corn dogs e os coloquei num prato pra esfriarem um pouco.
Eros sentou-se no chão e, ainda segurando o balde de pipoca com sabor de queijo, começou a comer. Wade se sentou ao lado dele, procurando pelas pipocas.
De repente, meus olhos se encheram de lágrimas de alegria. Meu coração ficou cheio ao ver Eros e Wade juntos.
Pai e filho.
Meus meninos.
Meu mundo.
Minha vida.
Eros parecia tão feliz. Era muito paciente ao brincar com Wade, ao cuidar dele e demonstrar seu amor. Suas palavras eram tão gentis com nosso filho; aquele chefe arrogante, mandão e teimoso do escritório tinha sumido.
Eros fazia Wade se sentir muito à vontade com ele, com a gente. Eu mal podia acreditar que ele era um pai tão brincalhão, até agia como uma criança às vezes.
Mais tarde, naquela tarde, Eros e Wade empinaram pipa juntos. Depois, Eros ensinou Wade a chutar e pegar bola. Eles se divertiram demais.
E eu também me diverti muito vendo os dois.
—Da próxima vez vou te comprar um carrinho elétrico. Você quer? Ou prefere uma bicicleta? — ouvi Eros perguntar.
Quando chegamos à casa dos Gomez, no fim da tarde, Eros deu um iPad para Wade. Ele passou a noite anterior comprando vários jogos infantis e apps educativos e os instalou todos no iPad. Terminou quase meia-noite.
—Posso ter os dois, papai?
—Claro, filho. O que mais você quer?
—Hmm... quero uma pistola de brinquedo — respondeu Wade.
—Uma pistola de brinquedo? Tá bom... quer ser policial quando crescer? — Eros perguntou.
—Sim... tipo um soldado.
—Um soldado?
—Com armas grandes e tanques enormes.
—O quê? NÃO! Nem pensar, filho... — disse Eros. — Você vai ser como eu, um CEO.
—Um? O que é isso, papai?
Ah não, Eros. Levantei e fui até eles. Não podia acreditar que Eros estava dizendo aquilo pra Wade. Ele ainda era pequeno demais pra entender essas coisas. Pelo amor de Deus.
—Querido... o que você está fazendo? — Olhei para Eros com raiva.
—Ah... Eu... — Eros gaguejou e me olhou com culpa.
—Acho que é muito cedo pra falar da profissão do nosso filho, não acha? — falei.

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