POV CELESTE
— A Rubí é tão fofa — disse minha mãe.
— Tem um cabelo preto muito bonito. Igual ao do Wade — Lillian passou os dedos pelo cabelo de Rubí. — Ela puxou mais para os traços dos Pedrosa.
Sorri.
— Sim, mas não o temperamento.
Lillian riu.
— Aleluia por isso.
— Quase não chora. Desde que a trouxemos para casa, nunca chorou a não ser por fome. Dorme a noite toda. O pediatra disse que está tudo bem. Tivemos sorte dela ter nascido assim — continuei.
— Igualzinha a você. Você quase não chorava quando era bebê — disse mamãe, brincando com a mão da Rubí.
— Sério?
— Sim. Acho que Rubí tem a sua personalidade.
— Quem deu chocolate pra bebê Rubí? — gritei. Tinha acabado de ir ao banheiro e, quando voltei pra sala, vi a boca da bebê toda suja de chocolate.
— Eu não — Wade saiu da cozinha.
Esmeralda estava no chão brincando com nosso cachorro, Marsh. Fingiu que não me ouviu. Sabia que era culpada.
— Vocês dois. Não deem comida pra Rubí, tá bom? Ela não é um cachorro, pelo amor de Deus — falei, irritada. — Ela ainda é um bebê. Só pode comer comida de bebê.
— Beleza, mãe. Relaxa — Wade deu uma mordida enorme na pizza que estava segurando.
Esmeralda me lançou um olhar rápido e voltou a brincar com Marsh.
— Você me ouviu, Esmeralda?
Ela se sentou, torceu as mãos e fez aquela carinha de cachorrinho.
— Sim, mamãe. Desculpa.
Wade cuidou de Rubí enquanto eu tirava uma soneca. Ele amava tanto a irmãzinha. Com treze anos, já era super responsável. E quanto mais crescia, mais se parecia com Eros. Tinha o temperamento dos Pedrosa, mas era um menino muito compassivo, gentil e carinhoso. Uma característica que também herdou dos Gomez.
Os Gomez ainda mantinham contato com a gente de vez em quando pelo Skype. Falavam com Wade, perguntavam da escola, da vida dele. No ano passado, ficaram aqui nos EUA por dois meses. Foi ótimo tê-los por perto, principalmente pro Wade, que sentia muita falta deles. Os convidamos para morar com a gente e acabamos ficando bem próximos, como uma família.
Depois da soneca, fui até o quarto do Wade pegar a Rubí. Wade estava dormindo na cama, e Rubí estava acordada do lado dele. Ele tinha o braço ao redor dela.
Deitei no pé da cama e reparei no filtro dos sonhos pendurado no teto, acima da cabeça de Wade. Era lindo. Parecia feito por uma garota.
Fiquei pensando em quem seriam as paixonites dele. A última tinha sido Martha.
Wade se mexeu e depois se sentou. Passou os dedos no cabelo bagunçado.
— Foi mal ter dormido. Tô cansado.
— Que horas você foi dormir ontem?
— Umas 11.
— Mmm… Eu vi que sua luz ainda estava acesa às 12:30. Você devia dormir mais cedo. Não vai crescer mais se continuar dormindo tarde.
— Eu não faço isso. É fim de semana, mãe — argumentou Wade.
— Onde você conseguiu isso? — apontei pro filtro dos sonhos. — Foi sua namorada que te deu?
— Não. Não tenho namorada. Foi você que me deu — ele fez uma cara confusa e se jogou na cama.
— Eu não te dei isso.
— Deu sim, mãe. Já esqueceu? Tava na caixa de biscoitos. Lembra? Lá na cafeteria, você tava brava porque eu perdi minha bolsa.
— Ah, é… Mas aquilo não é meu. É da menina que vende os biscoitos.
— Quem é essa menina? — Ele se virou pra mim, curioso, arregalando os olhos.
— Não sei. Nem perguntei o nome dela.
— Devia ter perguntado. Os biscoitos dela são deliciosos.
— Nem comi nenhum. Você comeu todos. Agora tô decepcionada — falei com um olhar triste, brincando.
— Compra mais se ver ela por aí.

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