POV EROS
Nunca tinha rezado tanto na minha vida, até agora. Chorava, pedindo a Deus que curasse a pequena Rubi. Era apenas um bebê e estava sofrendo com uma infecção viral muito grave. Era muito doloroso para nós. Sua vida estava em risco.
Rubi foi levada para o quarto ao amanhecer. Mas os médicos e enfermeiros continuavam monitorando.
— O pulso dela está enfraquecendo e a frequência cardíaca está diminuindo — informou o médico.
Meu coração parou, quebrando-se em mil pedaços. Mas eu precisava ser forte por Celeste.
— O que isso quer dizer? — perguntou Celeste, em pânico. Ela passou a noite inteira chorando, sem dormir e sem se alimentar direito. Eu temia que ela também ficasse doente.
— Ela não está respondendo bem ao medicamento.
— Meu Deus — Celeste me abraçou e escondeu o rosto no meu peito. — Não quero que nada aconteça com o nosso bebê.
Se eu tivesse superpoderes... Se pudesse pagar qualquer valor pela saúde da nossa filha. Eu faria isso sem pensar duas vezes.
— Façam tudo o que for possível para ela melhorar. Por favor — supliquei ao médico.
— Estamos fazendo tudo que podemos, senhor. Sugerimos fazer uma punção lombar.
— Uma punção lombar? O que é isso? — perguntou Celeste.
— É um procedimento onde retiramos uma amostra do líquido cefalorraquidiano com uma agulha e a analisamos para detectar infecções. Suspeitamos de uma infecção no revestimento do cérebro. Precisamos descartar meningite.
— Meu Deus, por favor, que não seja meningite.
— É por isso que precisamos fazer o procedimento. Suspeitávamos de dengue, mas os exames laboratoriais descartaram essa possibilidade.
— A punção lombar é dolorosa? Rubi é só um bebê.
— Faremos o possível para deixá-la confortável durante o procedimento, senhora Pedrosa. Pode ficar com ela, se quiser.
Fizeram a punção lombar em Rubi. Celeste e eu ficamos com ela. Não consegui segurar as lágrimas. Ela estava com muita febre e tão fraca que nem tinha forças para chorar.
Foi um dia horrível. Wade e Esmeralda chegaram com o rosto entristecido.
— Queria que fosse eu quem estivesse doente, e não a Rubi — disse Wade, olhando para mim.
— Não diga isso, idiota! — esbravejou Esmeralda. — Não quero que você fique doente, nem ninguém da nossa família. Amo muito nossa família — ela chorava desconsoladamente.
— Shhh... você está incomodando a pequena Rubi, Esmeralda.
De repente, ela parou de chorar e se virou para Rubi, beijando sua perninha.
— Desculpa, Rubi. Fique boa, por favor. Prometo que serei uma irmã muito boa pra você. Posso cantar pra ela, papai?
— Não, por favor, não — disse Wade, olhando pra mim.
— Talvez ela melhore se eu cantar. Você nunca ouviu falar em musicoterapia? — insistiu Esmeralda.
— Sabemos, querida. Mas agora os médicos não recomendam. Tudo bem? — Abracei Esmeralda. Sabia que ela só queria o melhor para a pequena Rubi. — Sua mãe está dormindo também. Precisamos fazer silêncio. Ela ficou acordada a noite toda.
— Tá bom — respondeu, tristemente —. Mas posso cantar baixinho, papai. Prometo que não vou acordar a mamãe.
Suspirei fundo.
— Tá bom... tá bom.
Mais tarde, me deitei na cama com Celeste e adormeci. Estava certo de que Wade estava ali cuidando das irmãs. Confiava nele. Era um menino responsável.

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