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Esposa por contrato romance Capítulo 187

POV WADE

— Ela é mais bonita pessoalmente — disse Erickson depois de deixar Carla em casa. — Tímida e, obviamente, uma boa garota.

— Ela é mesmo, e ainda tem uma personalidade incrível — respondi.

Mostrei ao Erickson a foto da Carla que tinha no meu celular. Tinha tirado no nosso primeiro dia de ensaio. Em segredo. Não consegui me controlar. Ela estava tão linda lendo o roteiro naquele momento.

— Ela é sua namorada?

Demorei alguns segundos para responder, assimilando a pergunta.

— Não. É só uma amiga.

— Que pena. Vocês formam um casal bonito.

A ideia de mim e da Carla juntos me fez sorrir. Eu me sentiria no céu abraçando ela.

Cheguei em casa esperando ver o Ismael. Enquanto a Carla e eu estávamos na pista de patinação, ele me mandou uma mensagem dizendo que ia devolver o drone.

— Onde você estava? — perguntou Ismael assim que saí do carro.

— Resolvi uma coisa pro papai. Negócios de kickboxing.

— Sério? — A expressão do Ismael virou zombeteira. — Ah, me poupe. Você está vestido como se fosse impressionar uma garota.

Balancei a cabeça e entrei em casa.

— Acho que você está saindo com alguém. Em segredo — disse Ismael, me seguindo.

— Não é verdade — neguei. Nem conseguia olhar pra ele.

— Quem é? — insistiu. — É alguém da nossa escola?

— Deixa isso pra lá.

— Tá bom, tudo bem. De qualquer jeito, obrigado por isso — disse, me entregando meu drone.

— Sempre às ordens, irmão.

— Comprei o meu hoje. Tava rolando uma promoção no Rockefeller Center. Trinta por cento de desconto! Muito bom.

O que o Ismael disse me deixou surpreso. Meu coração começou a bater mais rápido.

— Você estava hoje no Rockefeller Center?

— Sim. Com a minha família.

Carla e eu quase encontramos o Ismael. Nem queria imaginar o que teria acontecido se ele tivesse nos visto juntos.

Senti uma culpa súbita. Eu precisava contar sobre a Carla. Ele tinha que saber. Além disso, eu não suportava a ideia de trair meu melhor amigo.

Era muito difícil continuar guardando segredo, sem ninguém para conversar sobre o que sentia por ela. Reprimir meus sentimentos estava acabando comigo. Mal conseguia dormir à noite.

— Ismael, preciso te contar uma coisa — falei quando estávamos na sala.

— O que foi?

— Eu...

— Oi, Ismael! O Leonidas tá aí? — disse Esmeralda atrás de mim. Ela descia as escadas correndo, usando uns shorts curtíssimos.

— Não — respondeu Ismael —. Ele está doente. Tá com febre e resfriado.

— Ahhh... Que pena. Você acha que eu deveria ir visitá-lo e levar uma sopinha de frango? — perguntou Esmeralda.

Olhei pra ela, confuso.

— Por que você faria isso? Você não é mãe dele.

— Só estou preocupada, ué. Qual o problema nisso?

— Nenhum. Mas essa roupa não tá adequada. Sobe e troca. Tá frio, estamos no inverno — respondi seco.

— Ai, que chato! Isso é moda — disse Esmeralda, jogando o cabelo pra trás e subindo as escadas correndo.

— Ela é corajosa — riu Ismael depois que ela sumiu.

Mamãe saiu da cozinha carregando uma caixa.

— Wade, a Martha passou aqui. Trouxe essas bolachas pra você. Nem sabia que ela fazia bolachas.

Dei de ombros.

— Ela disse que vai te ligar hoje à noite.

De novo, não. Ela não desistia. Não entendia que o nosso namoro tinha acabado há um ano. Precisava seguir em frente.

— Valeu, mãe —. Peguei a caixa de bolachas. Quando ela saiu, entreguei a caixa pro Ismael. — Você gosta das bolachas da Martha, né?

— Gosto... — disse Ismael, meio desconfiado.

— Pode ficar com elas.

— Valeu —. Abriu a caixa e enfiou uma bolacha inteira na boca. — Nossa... Tá muito doce. Mas tá boa.

— Vamos lá, comprei um jogo novo. Quer ver? — convidei. Ele também amava videogames, como eu. E eu ainda precisava contar sobre a Carla.

— Não dá. Meus parentes vêm jantar. Tenho que ir pra casa.

Olhei o relógio. Quase seis da tarde.

— Preciso te contar uma coisa.

— O que é? Fala logo — disse, olhando pro relógio.

Agora fiquei em dúvida. A gente podia conversar depois. Talvez amanhã.

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