POV CARLA
— Como está o Jordy? Ele está bem? Você deu algo especial para ele no Natal? Me mande uma foto dele — disse a tia Abigail ao telefone.
— O quê? — perguntei confusa, desorientada por ter acordado de repente.
— Sua idiota! Onde está o Jordy? — gritou a tia Abigail.
Afastei o telefone da orelha e olhei para o relógio. Era uma da manhã.
— Ele está lá em cima, na sala — respondi.
— Você ligou o aquecimento? Ele pode pegar um resfriado — disse a tia Abigail. De repente, foi a Ângela quem falou comigo. — Se ele ficar doente, vou colocar a culpa em você. Vai, tire uma foto do Jordy, já estou morrendo de saudades do meu bebê. Depressa!
Subi as escadas e acendi as luzes. Tirei uma foto do Jordy e enviei para Ângela.
Sem agradecer, sem desejar feliz Natal, sem demonstrar preocupação... só ordens e gritos. Nunca me trataram como parte da família. Jordy tem mais sorte do que eu.
Voltei para a cama e pensei no Wade. Pensar nele me fazia feliz.
Falava com ele todos os dias desde que ele chegou aqui no Natal. Nunca mais disse que "gostava de mim". Mas era muito doce e carinhoso. Sempre me lembrava de comer. Ontem tive uma surpresa. Erickson, o motorista pessoal dele, veio até a nossa porta com comida. Uma refeição completa com bolo de cenoura e nozes. Tinha espetinhos de carne, pão sírio com homus, um arroz amarelo misturado com frango — depois o Wade me disse que era frango biryani — e o pão chamado naan.
Hoje é aniversário dele. Seria legal desejar feliz aniversário agora, mas não tive coragem. É cedo demais. Além disso, ele não falou nada sobre seu aniversário. Eu também não. Não queria parecer uma perseguidora que sabe coisas pessoais sobre ele, como a data de aniversário e outras coisas.
Às dez da manhã, mandei uma mensagem para o Wade. Desejei "Feliz Aniversário". Mas ele não respondeu. Achei que devia estar ocupado preparando sua festa. A Lia mencionou ontem à noite que teria uma grande festa na casa dele hoje. Viu no I*******m da Martha que ela estava no shopping procurando um presente para o Wade.
A campainha tocou.
Eu estava apressada, amarrando os cadarços e pegando a jaqueta. Era a Lia. Ela ia me acompanhar até o mercado mais próximo. Eu queria fazer biscoitos para o Wade, como presente de aniversário. Era a única ideia que tive. Algo pessoal e especial. E se eu não visse ele hoje, poderia entregar amanhã ou depois. Eles não estragariam em poucos dias.
Fiquei muito grata ao meu avô, o pai da minha mãe, que me mandou cem dólares de presente de Natal.
— Se eu fosse você, já teria dito que também gosto dele — disse Lia, enquanto comíamos sorvete e batata frita no McDonald's.
— Não tive coragem de dizer. Além disso, ele me pegou de surpresa. Achei até que tinha ouvido errado.
— Esse é o problema de ler muitos romances. Você não sabe mais distinguir fantasia de realidade — Lia riu de mim enquanto comia as batatas.
— Olha quem fala. Você é obcecada pelos seus namorados imaginários daquele jogo de celular.
— Quem precisa de namorado real? Só me dariam dor de cabeça. Tenho o Shawn Mendes na tela de bloqueio do meu celular 24 horas por dia. Só de ver as fotos, vídeos e ouvir as músicas dele, já estou no céu — Lia riu.
— Um dia, você também vai viver um amor de verdade. A sensação é totalmente diferente. Não dá para explicar.
— Sim, sim... Você não come, não dorme, só pensa na pessoa, blá, blá, blá. Faz coisas estúpidas e loucas por amor. Não quero viver isso. Amo comer e dormir — ela riu tão alto que todo mundo ficou olhando.
*
POV WADE

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