POV EROS
O que é isso! Achei que fosse um incêndio. A voz dela não é nada agradável de se ouvir. Estou até começando a ter dor de cabeça. Ela deveria se dedicar a fazer um café delicioso, em vez de tentar ser cantora.
Acabei adormecendo sem querer durante uma entrevista de emprego com ela. Não dormi bem na noite passada e o cansaço me dominou de repente. A emoção e a pressão de fechar um negócio muito importante sempre me levam ao limite; dormir se tornou a última das minhas prioridades. Era como uma obsessão, uma paixão dominante pelo poder, pela autoridade e pelo controle total.
Olhei para ela fixamente: Celeste Whitmore. Parecia tão inocente, como uma donzela, parada na minha frente. Sua expressão era uma mistura de surpresa e deleite.
— Estou contratada? — disse ela, cobrindo a boca com as mãos e arregalando os olhos. Tinha olhos esmeralda realmente incríveis, muito cativantes.
— Sim, e você começará amanhã de manhã — respondi com uma voz firme e autoritária.
— Sim! Sim, sim! Muito obrigada, Senhor Pedrosa! O senhor é meu salvador. Não faz ideia do quanto isso significa para mim e para minha família. — Ela pulava de alegria, tão tomada pela felicidade.
Me passou pela cabeça a ideia de que ela se aproximasse e me abraçasse. De jeito nenhum, ela não faria isso, mas e se fizesse? Me perguntava como lidaria com uma situação assim.
Eu estava fascinado com sua reação. Era como uma garotinha que recebe uma boneca e balões no aniversário. Ela não tinha receio de expressar seus sentimentos e não se importava em parecer engraçada ou boba. Gostei da sua personalidade, muito simples e sem pretensões. Tão diferente das garotas que eu já havia conhecido.
— Aqui está meu endereço. — Entreguei meu cartão de visita. — Quero que esteja no meu apartamento amanhã às cinco em ponto. Certifique-se de chegar no horário. Não tolero funcionários atrasados.
Ela pegou o cartão com as duas mãos e o encarou fixamente.
— Estarei lá, Senhor Pedrosa. Não chegarei atrasada. — Me lançou um sorriso brilhante e radiante, mostrando seus dentes apertados.
— Ótimo, então está combinado. Pode ir agora, Senhorita Whitmore — disse, dispensando-a abruptamente. Embora estivesse me divertindo com sua personalidade, não queria demonstrar.
Ao atingir a maioridade, aprendi a controlar minhas emoções e a evitar demonstrar o que realmente sentia. Eu precisava ser duro, corajoso e emocionalmente forte. Administrava uma empresa multinacional, milhares de funcionários dependiam de mim, inclusive minha família. Qualquer sinal de fraqueza poderia ser usado pelos nossos concorrentes — os tubarões dos negócios — como arma contra mim e contra a empresa.
Desviei o olhar para o envelope marrom claro que estava sobre a minha mesa. O abri e tirei os documentos, pronto para examinar o plano de contingência que meu pai havia preparado.
Mas, quando levantei os olhos, Celeste ainda estava lá, parada na minha frente, sem se mover um centímetro. Ela torcia os dedos.
— Eu disse que pode ir — falei com firmeza, enfatizando cada palavra. Também estava tentando intimidá-la, criar uma barreira entre nós.
— Ehm, ah...
— Você tem alguma dúvida? Ou precisa de alguma confirmação?
— Ehm... sim, Senhor Pedrosa. Quanto será o meu... salário? — disse com a voz trêmula e frágil.
— Eu cumpro minha palavra, Senhorita Whitmore. Ofereci o triplo do seu salário na cafeteria, então é isso que você receberá.
Ela acenou com a cabeça e, obviamente, estava segurando um sorriso. Estava feliz.
— Alguma outra dúvida?
— Não, senhor. Muito obrigada, Senhor Pedrosa. — Ela voltou a torcer os dedos. Percebi que era um hábito seu.
Acenei com a cabeça e levantei a mão para dispensá-la. A observei sair do meu escritório. Ela estava prestes a abrir a porta quando se virou e olhou para mim novamente.
— Senhor Pedrosa. Sei que não é da minha conta, mas ouvi um grupo de homens no banheiro. Eles mencionaram que concordariam em licitar pelo estaleiro do Japão, mas somente se você aumentasse sua participação.
— O quê! — Levantei-me, tão surpreso com sua declaração. — Tem certeza?
— Sim. Disseram que você queria adquirir o estaleiro por causa das barras de ouro escondidas embaixo.
— Malditos sanguessugas gananciosos! — rosnei irritado. Todo o tempo e esforço que dediquei para convencê-los a licitar por aquele estaleiro e, no fim, só queriam um aumento da minha parte. Maldição!

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