Luiza franziu a testa.
— Estou ocupada agora.
Ethan riu do outro lado da linha, com um tom descontraído:
— Então eu entro direto?
Ele não pensou muito na pergunta. Embora Luiza tivesse se mudado, ela ainda era sua esposa. Para Ethan, tudo estava sob controle. Ele acreditava que, assim que conseguisse estabilizar Gabriela e a raiva de Luiza passasse, tudo voltaria ao normal.
Na visão dele, entrar na casa onde Luiza estava morando era algo perfeitamente natural. Só por educação, ele havia mencionado antes de fazê-lo.
Luiza, então, lembrou-se de que, desde que havia se mudado para aquele apartamento, nunca havia trocado a senha da fechadura inteligente.
Ela sentiu uma irritação súbita e, por reflexo, tentou impedir:
— Não, não. Eu já estou voltando.
Desde que saíra da Vila das Acácias, ela fazia questão de manter Ethan longe de sua vida pessoal, exceto pelo estritamente necessário.
Para Luiza, a casa era um espaço que só pessoas realmente próximas deveriam ter acesso. A ideia de Ethan entrando assim, sem ser convidado, a fazia se sentir desconfortável, como se uma barreira tivesse sido rompida.
Depois de desligar o celular, ela levantou os olhos e percebeu que Gustavo a observava com calma, mas com um ar de quem claramente estava se divertindo. A expressão dele parecia dizer: “Se você ousar me deixar plantado aqui, experimente só para ver o que acontece.”
Luiza hesitou por um instante antes de pedir:
— Você pode me levar até o Condomínio Bela Vista? Preciso assinar o recebimento de uma entrega.
Gustavo curvou os lábios em um sorriso frio. O tom da voz dele carregava um sarcasmo cortante.
— Vai assinar o recebimento do Ethan?
— Ele não é uma coisa.
Luiza não tinha nem a intenção de deixar Ethan entrar, muito menos de acolhê-lo.
Gustavo lançou um olhar lateral para ela, cheio de desdém, mas não disse mais nada. Em vez disso, dirigiu-se a Jacarias com uma voz gelada:
— Leve a Luiza para casa, para ela conversar um pouco com seu amor.
Luiza ficou em silêncio. Não havia motivo para negar ou explicar. Gustavo já a tinha rotulado como uma “romântica incorrigível”. A menos que ela jogasse o certificado de divórcio bem na cara dele, qualquer coisa que dissesse soaria como uma desculpa esfarrapada.
O problema era que nem o certificado de divórcio ela tinha.
Talvez pelo fato de considerar o comportamento dela tão patético, Gustavo relaxou contra o encosto do banco, mas ainda havia uma tensão latente em sua postura, como se estivesse prestes a explodir.

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