Ela realmente não gostava de Gabriela.
Mas Íris era uma pessoa muito boa.
— Luiza… — O humor pesado de Íris se aliviou um pouco assim que ela ouviu a voz suave da jovem; até o tom dela ganhou um traço de sorriso. — Hoje eu já tô voltando pra Cidade A. Quando você organizar sua agenda, pode vir de novo nas Residências Brisa Serena pra continuar meu tratamento, a hora que você quiser.
Luiza ficou um pouco surpresa:
— Tão rápido assim?
Ela conseguia perceber o tamanho do afeto e da culpa que Íris sentia por essa filha mais nova.
Pela lógica, depois de reencontrar a filha perdida, era de se esperar que Íris ficasse mais alguns dias na casa, tentando recuperar o tempo com ela.
Íris entendeu o que ela estava querendo dizer, mas não comentou. Ela apenas deu uma risadinha de leve, em tom de brincadeira:
— O quê? Você já tá cansada de mim e não quer mais contato?
— Claro que não. — Luiza respondeu na hora, sem pensar. — Eu prometi que ia deixar a sua perna boa, e eu só vou sossegar quando conseguir.
Em vez de deixá-la mais calma, aquilo só apertou o peito de Íris. Ela teve a nítida sensação de que, dali pra frente, o que ia existir entre as duas seria, principalmente, a relação entre médica e paciente.
E Luiza, de fato, tinha essa intenção. Do contrário, com todo o histórico de mágoas entre ela e Gabriela, se Íris ficasse no meio, quem ia sofrer mais seria a própria Íris.
Depois que encerrou a ligação, Luiza largou o celular ao lado e, sem querer, começou a pensar nos próprios pais biológicos.
Onde eles estariam? Será que eles se preocupavam com ela, como a família Frota um dia tinha se preocupado com Jennifer?
…
No aeroporto de Cidade A, depois de deixar um rastro longo de nuvens no céu, o avião aterrissou suavemente na pista.
Lilian tirou os óculos escuros, empurrou a mala com uma das mãos e foi em direção à saída com a segurança de quem conhecia o caminho de cor.
De longe, Cauã a reconheceu de primeira. Primeiro, porque ele conhecia bem demais aquela figura; segundo, porque era impossível ela passar despercebida.
Ao contrário da mansidão de Luiza, os traços de Lilian eram vivos, marcantes, bonitos de um jeito quase agressivo.
Os cabelos longos, ondulados, caíam soltos pelos ombros. A camisa de seda vinho valorizava o tom de pele dela; a barra da camisa estava enfiada de forma despretensiosa na calça jeans muito bem cortada.
Cada passo largo deixava à mostra um pedaço do tornozelo delicado, e, a cada passada, era como se ela pisasse direto no peito de Cauã.
Ela estava mais espalhafatosa e confiante do que na época da faculdade. Em Lilian, não se via nem sombra da garota sensível e cheia de inseguranças de antes.
Cauã caminhou até ela a passos largos. Quando ele estendeu a mão para pegar a mala dela, viu o movimento fluido com que ela tirou a bagagem do alcance dele.
— Sr. Cauã, o senhor precisava de alguma coisa?


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