Luiza quase contou para ele que, na verdade, ela “nem tinha pai nem mãe”.
Mas não era bem isso. O certo era dizer que, todos esses anos, ela tinha vivido usando a identidade de outra pessoa; até o nome Luiza não era realmente dela.
Ela nem sabia, de verdade, quem ela era.
Quando Gustavo abaixou os olhos, ele deu de cara com o olhar dela: um misto de confusão e mágoa, preso nele.
Ele sentiu o peito amolecer e engoliu a vontade de beijá-la. Ele apoiou uma mão na base das costas dela, e com a outra afastou as mechas soltas ao lado do rosto, prendendo o cabelo atrás da orelha. Em seguida, ele inclinou um pouco a cabeça e perguntou num tom baixo, quente, tentando acalmá-la:
— O que aconteceu, hein? As coisa que tão falando na internet te deixaram mal?
Se alguém de fora visse a doçura dele naquele momento, provavelmente ficaria em choque.
Mas Luiza já tinha visto aquele lado dele incontáveis vezes.
Sempre que ela tinha ficado mal no passado, ele tinha perguntado exatamente assim: com paciência, seriedade, sem nunca diminuir o que ela sentia.
Ele nunca tinha achado que ela estava sendo dramática, nunca tinha tratado os sentimentos dela como frescura. Até o dia em que eles quebraram de vez, ele tinha respeitado cada emoção dela, tinha acolhido todas, uma por uma.
Por isso, naquele momento, Luiza não ficou surpresa com a atitude dele. Ela apenas continuou olhando para o homem à sua frente, meio perdida, e perguntou baixinho:
— Gustavo, me diz… Quem é que eu sou, afinal?
Foi a primeira vez que Gustavo viu esse tipo de vazio no rosto de Luiza.
Desde pequena, tirando os momentos em que ela se aproveitava do mimo que recebia dele, Luiza sempre soube exatamente o que queria, o que podia e o que devia fazer.
A pergunta dela deixou Gustavo por um instante sem reação.
Os dedos dele, que ainda brincavam com o cabelo dela, pararam um segundo. Ele levantou levemente a sobrancelha e respondeu, meio no deboche, meio sério:
— Você é minha irmã.
Luiza ficou sem fala e começou a se mexer, querendo sair do colo dele.
Gustavo não afrouxou nem um pouco o braço. Ele a manteve ali, firme, e prendeu o olhar dela com o dele, escuro e profundo:
— Não importa quem você é. O que importa é que você é você.
Luiza congelou. O corpo dela sossegou no mesmo instante. Ela levantou o rosto um pouco atrasada, olhando pra ele; os olhos já brilhavam de lágrimas. A voz dela saiu reta, quase infantil:
— Ser eu mesma… Já é suficiente?

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