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Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso romance Capítulo 562

A peça nas mãos dele não tinha nada de especial no material. O colar era comum, simples até.

Mesmo assim, quando Gustavo olhou direito, a expressão dele ficou estranhamente séria. Ele abaixou o olhar de novo para a mulher que o encarava, curiosa, esperando alguma reação.

Luiza não entendeu:

— O que foi?

Gustavo passou os dedos pela superfície lisa do colar, fingiu naturalidade e devolveu com outra pergunta:

— E por que eu nunca vi você usando isso?

Luiza apertou levemente os lábios:

— Eu morro de medo de perder de novo. Aí fico com pena de usar.

Não importava se o colar tinha vindo dos pais adotivos ou dos pais biológicos; pra ela, aquilo era a única prova concreta de que, em algum momento, ela tinha sido amada pela própria família. Por isso ela guardava a peça como se fosse um tesouro.

Gustavo percebeu, no fundo dos olhos dela, aquela pontada de amargura. O peito dele pareceu ser puxado por dentro. Ele ignorou a resistência dela, desfez o nó do cordão e, com as duas mãos, passou o colar por trás da nuca dela, prendendo de novo.

— Usa. Fica lindo em você. — Gustavo segurou o gesto dela, quando ela tentou tirar a peça. — Fica tranquila, ele não vai sumir de novo. Mesmo que se perca, eu dou um jeito de achar.

— Jura?

— Claro. Quem você acha que eu sou? — Gustavo ergueu de leve a sobrancelha, com aquela confiança que sempre o acompanhava.

O coração de Luiza se acalmou. Ela desistiu de tirar o colar, sorriu e piscou pra ele:

— Então eu vou acreditar em você… Só dessa vez.

O modelo em si era bem comum, nada que chamasse atenção. Mesmo assim, depois de examinar o colar, Gustavo ficou com a cabeça longe, carregando um peso que ele não comentou. Quando Luiza perguntou, ele apenas respondeu que não era nada.

…

No dia seguinte, Luiza não precisava ir pro consultório atender. Quando ela acordou, o espaço ao lado dela na cama já estava vazio.

Ela se arrumou, desceu as escadas e encontrou Manuela à sua espera, sorrindo com os olhos apertados:

— O Gustavo saiu cedo hoje. Ele não fez barulho demais, fez?

— Não, imagina. — Luiza levou a mão ao nariz, meio sem graça. — Ele foi pra empresa?

— Acho que foi, né? Ele nunca me diz pra onde vai.

Manuela resmungou de leve, mas o tom de voz dela era só carinho.

Desde que Luiza tinha descoberto que Manuela era a avó biológica de Gustavo, ela ficava feliz por ele sempre que pensava nisso.

Era raro demais ter, enfim, alguém da própria família que realmente o amasse.

Já o resto dos Marques, Luiza achava que eles deviam passar o dia inteiro torcendo pelos erros de Gustavo, só esperando o momento de puxar ele lá de cima.

…

Em outro ponto da cidade, Cauã tinha acabado de voltar do plantão noturno pro Condomínio Bela Vista. Ele saiu do banho ainda secando o cabelo quando a campainha começou a tocar sem parar.

— Quem é? — Ele resmungou, coçando a cabeça, e foi até a porta arrastando as chinelas. Quando ele abriu e viu quem estava ali, ele disparou, mal-humorado. — Olha só quem lembra que eu existo.

Gustavo. O ingrato.

Desde que ele tinha “sequestrado” Luiza pro Solar do Lago, não tinha santo que fizesse Gustavo aceitar um convite pra sair.

Gustavo ergueu o queixo num gesto de aprovação e ainda puxou o ketchup, servindo um pouco ao lado, cheio de boa vontade:

— Come.

Cauã pegou um pastel e cravou um baita pedaço. Ele estava prestes a elogiar a mão de Manuela na cozinha quando ouviu a voz calma de Gustavo, do outro lado da mesa:

— Você comentou, da outra vez, que a Gabriela apareceu lá em casa com um colar quando foi se apresentar como filha, não foi?

— Foi. — Cauã nem esperou o pastel esfriar, já abocanhou o segundo. Com a boca meio cheia, ele perguntou, sem articular direito. — Por quê? Você vai tirar sarro de novo porque eu fui cair nessa história de irmã fajuta?

Gustavo arqueou a sobrancelha, mas não mordeu a isca:

— Como é que era o colar?

— Pra que você quer saber? — Cauã ergueu os olhos, lembrando do jeito de Gustavo de se manter à parte de tudo que não dizia respeito direto a ele. De súbito, ele perguntou. — Não me diz que você andou vendo um igual por aí…

Gustavo o encarou:

— Me diz uma coisa: se eu virasse seu cunhado, o que você ia achar?

Cauã levou um choque, endireitou o corpo na cadeira, olhos escancarados:

— Que diabos tá passando na sua cabeça? Você tá mesmo cogitando casar com a Amanda só pra fechar aliança de poder?

Ele sabia que, por mais que parecesse intocável, Gustavo também batia de frente com limites o tempo todo.

Se ele se casasse com alguém da família Frota, a balança ia virar de um jeito completamente diferente.

Mas aí… Onde é que ia ficar a Luiza?

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