A peça nas mãos dele não tinha nada de especial no material. O colar era comum, simples até.
Mesmo assim, quando Gustavo olhou direito, a expressão dele ficou estranhamente séria. Ele abaixou o olhar de novo para a mulher que o encarava, curiosa, esperando alguma reação.
Luiza não entendeu:
— O que foi?
Gustavo passou os dedos pela superfície lisa do colar, fingiu naturalidade e devolveu com outra pergunta:
— E por que eu nunca vi você usando isso?
Luiza apertou levemente os lábios:
— Eu morro de medo de perder de novo. Aí fico com pena de usar.
Não importava se o colar tinha vindo dos pais adotivos ou dos pais biológicos; pra ela, aquilo era a única prova concreta de que, em algum momento, ela tinha sido amada pela própria família. Por isso ela guardava a peça como se fosse um tesouro.
Gustavo percebeu, no fundo dos olhos dela, aquela pontada de amargura. O peito dele pareceu ser puxado por dentro. Ele ignorou a resistência dela, desfez o nó do cordão e, com as duas mãos, passou o colar por trás da nuca dela, prendendo de novo.
— Usa. Fica lindo em você. — Gustavo segurou o gesto dela, quando ela tentou tirar a peça. — Fica tranquila, ele não vai sumir de novo. Mesmo que se perca, eu dou um jeito de achar.
— Jura?
— Claro. Quem você acha que eu sou? — Gustavo ergueu de leve a sobrancelha, com aquela confiança que sempre o acompanhava.
O coração de Luiza se acalmou. Ela desistiu de tirar o colar, sorriu e piscou pra ele:
— Então eu vou acreditar em você… Só dessa vez.
O modelo em si era bem comum, nada que chamasse atenção. Mesmo assim, depois de examinar o colar, Gustavo ficou com a cabeça longe, carregando um peso que ele não comentou. Quando Luiza perguntou, ele apenas respondeu que não era nada.
…
No dia seguinte, Luiza não precisava ir pro consultório atender. Quando ela acordou, o espaço ao lado dela na cama já estava vazio.
Ela se arrumou, desceu as escadas e encontrou Manuela à sua espera, sorrindo com os olhos apertados:
— O Gustavo saiu cedo hoje. Ele não fez barulho demais, fez?
— Não, imagina. — Luiza levou a mão ao nariz, meio sem graça. — Ele foi pra empresa?
— Acho que foi, né? Ele nunca me diz pra onde vai.
Manuela resmungou de leve, mas o tom de voz dela era só carinho.
Desde que Luiza tinha descoberto que Manuela era a avó biológica de Gustavo, ela ficava feliz por ele sempre que pensava nisso.
Era raro demais ter, enfim, alguém da própria família que realmente o amasse.
Já o resto dos Marques, Luiza achava que eles deviam passar o dia inteiro torcendo pelos erros de Gustavo, só esperando o momento de puxar ele lá de cima.
…
Em outro ponto da cidade, Cauã tinha acabado de voltar do plantão noturno pro Condomínio Bela Vista. Ele saiu do banho ainda secando o cabelo quando a campainha começou a tocar sem parar.
— Quem é? — Ele resmungou, coçando a cabeça, e foi até a porta arrastando as chinelas. Quando ele abriu e viu quem estava ali, ele disparou, mal-humorado. — Olha só quem lembra que eu existo.
Gustavo. O ingrato.
Desde que ele tinha “sequestrado” Luiza pro Solar do Lago, não tinha santo que fizesse Gustavo aceitar um convite pra sair.
Gustavo ergueu o queixo num gesto de aprovação e ainda puxou o ketchup, servindo um pouco ao lado, cheio de boa vontade:
— Come.
Cauã pegou um pastel e cravou um baita pedaço. Ele estava prestes a elogiar a mão de Manuela na cozinha quando ouviu a voz calma de Gustavo, do outro lado da mesa:
— Você comentou, da outra vez, que a Gabriela apareceu lá em casa com um colar quando foi se apresentar como filha, não foi?
— Foi. — Cauã nem esperou o pastel esfriar, já abocanhou o segundo. Com a boca meio cheia, ele perguntou, sem articular direito. — Por quê? Você vai tirar sarro de novo porque eu fui cair nessa história de irmã fajuta?
Gustavo arqueou a sobrancelha, mas não mordeu a isca:
— Como é que era o colar?
— Pra que você quer saber? — Cauã ergueu os olhos, lembrando do jeito de Gustavo de se manter à parte de tudo que não dizia respeito direto a ele. De súbito, ele perguntou. — Não me diz que você andou vendo um igual por aí…
Gustavo o encarou:
— Me diz uma coisa: se eu virasse seu cunhado, o que você ia achar?
Cauã levou um choque, endireitou o corpo na cadeira, olhos escancarados:
— Que diabos tá passando na sua cabeça? Você tá mesmo cogitando casar com a Amanda só pra fechar aliança de poder?
Ele sabia que, por mais que parecesse intocável, Gustavo também batia de frente com limites o tempo todo.
Se ele se casasse com alguém da família Frota, a balança ia virar de um jeito completamente diferente.
Mas aí… Onde é que ia ficar a Luiza?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso
Como faço para desbloquear a leitura, já paguei, aparece o saldo em moedas, mas não abre o texto...
Que capítulo mequetrefe,aff.......
Na melhor parte não tem mais episódios.... Aft...
Amanhã vou abrir reclamaçao no PROCON.Se fosse só algumas vezes q denorassem p/ postar os capítulos até vá lá mas toda semana essa enrolaçào?É um tremendo 171 pq vc paga e csro.Com o q já paguei podeia ter comprado um livro físico!!!É um absurdo🤬😤...
Esperando sair mais..... Demorando muito...
De novo essa enrolaçao p/ postar os capitulos?A gente está pagando nào é de graça então qual o problema desta biroska?Atendimento também nào exuste...
Demora demais😔...
Só saiu um??? E uma espere pra quem ler todo dia. Uma ansiedade vir ver se saiu capítulos novos. Mas e triste quando só saem um😔...
Nada de atualizar os capítulos...
Deveria se chamar:Esquece leitor,vc só paga mas não ve mais nenhum capítulo.😤🤬😡...