Quando Cauã chegou ao quintal, Lilian já estava agachada no chão, passando a mão no Odin, que estava deitado com a língua para fora.
Odin balançava o rabo sem parar e esfregava a cabeça na palma da mão dela.
Cauã arqueou levemente a sobrancelha:
— Ele é bem apegado a você, hein.
Lilian não olhou para trás. Ela continuou fazendo carinho na cabeça de Odin e respondeu, arrastando a voz:
— Sim. Ele é bem mais fácil de lidar do que certas pessoas. Pelo menos ele não deixa ninguém sem saber o que ele está pensando.
A frase tinha endereço certo, mas Cauã preferiu não responder.
Ele se aproximou devagar e parou ao lado dela, com o olhar preso no perfil delicado e marcante de Lilian.
De repente, Odin se levantou, deu duas voltas em torno das pernas de Cauã, o rabo batendo na barra da calça dele, como se ele estivesse conferindo o cheiro. Depois, o cachorro voltou a se deitar ao lado de Lilian.
Lilian ergueu uma sobrancelha:
— Pelo visto, ele também gosta de você.
— É claro que gosta. — Cauã baixou os olhos para o cachorro. — Eu já levei muita comida para ele. Ele entende de gente melhor do que muita pessoa por aí. Ele sabe quem realmente faz bem para ele.
Lilian percebeu o tom atravessado, mas não mordeu a isca.
Ela não era cega ao que ele fazia por ela. Ela só… Não tinha certeza se tinha coragem de corresponder àquilo.
O silêncio se instalou entre os dois por um bom tempo.
Até que Lilian se levantou de repente, bateu as mãos para tirar a poeira e, finalmente, se virou completamente para encará‑lo de frente. O olhar dela era direto, claro, quase agressivo na franqueza, como se ela quisesse enxergar o que ele escondia lá no fundo.
A coluna de Cauã enrijeceu por um segundo sob aquele olhar. Ele virou o rosto de lado, meio desconfortável:
— Lilian, por que você está me olhando desse jeito? Dá até um arrepio.
— Cauã. — Lilian apertou os lábios antes de falar, a voz saindo baixa.
O olhar dele voltou para o rosto dela, e a expressão dele ficou um pouco mais séria.
— O seu sonho, desde sempre, foi ser médico, não foi?
A pergunta veio num tom suave, mas fez o corpo de Cauã reagir. O movimento dele hesitou, quase imperceptível.
O passo de Cauã vacilou, quase imperceptível. Ele não chegou a se virar.
Lilian continuou parada onde estava, olhando as costas dele. A voz dela saiu ainda mais baixa do que antes, mas cada palavra veio nítida:
— Desde quando você deixou de ser sincero?
O corpo de Cauã enrijeceu de leve. Os lábios dele se mexeram, como se ele fosse retrucar, mas nenhuma palavra saiu.
Ele acabou se virando, encarando o olhar teimoso da mulher, e soltou um suspiro resignado, como se ele tivesse finalmente decidido abrir o jogo. Nesse exato momento, o celular no bolso dele começou a tocar.
Cauã pegou o aparelho, conferiu o visor e franziu ligeiramente a testa. Depois, ele se afastou alguns passos, indo até o outro lado do quintal para atender.
Lilian permaneceu onde estava, observando a linha do ombro dele, o jeito como ele inclinava um pouco a cabeça para ouvir melhor. A voz dele chegava até ela em pedaços, baixa demais para ser compreendida, mas a mudança no clima em volta dele era evidente: algo nele tinha ficado mais pesado.
Quando a ligação terminou, Cauã guardou o celular no bolso. Ele ficou parado por uns dois segundos, respirando fundo, e só então voltou na direção dela.
A expressão dele estava mais contida do que antes, mas não exatamente carregada.
— Lilian. — Ele chamou por ela, e, dessa vez, a voz vinha sem a máscara de desleixo de minutos atrás. — Aquele problema com o Severino já foi resolvido. Eles não vão deixar o Severino chegar perto daquelas casas de jogo nunca mais. E ninguém vai voltar a bater na sua porta por causa disso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso
Esse livro é uma desgraça, desistindo. Quem escreveu precisa se aposentar....
Mas que chatice! Toda vez essa enrolação, fala que vai oficializar o divórcio tem 50 capítulos já! Saco!...
Nos capítulos 300 e pouco parece que a história perde a consistência. Lilian parece ter esquecido algumas coisas sobre Luiza e Gustavo. Ale disso muitas coisas acontecem de forma forçadamente conveniente e até pouco criativas. Tá difícil continuar....
A história tem um plot super interessante, porém a experiência é estragada com 50 capítulos que são pura enrolação, 50 capítulos que não precisavam existir porque já descrevem tramas que apareceram e foram resolvidas, a formatação da capítulos é sofrível com diálogo sendo divididos em capítulos minúsculos e estragando o ritmo narrativo e o aparente abandono dos personagens principais no final da história. Poderia ser uma excelente, mas a execução e o layout estragaram tudo...
A história era da Luiza, do Ethan e do Gustavo, agora, parece, que a autora se perdeu.... Eles nem aparecem na história. O que está escrevendo seria material para um outro livro. Se eu dissesse que é meu ridículo, estaria errada.... é totalmente ridículo!...
Capítulo 787 e do nada agora precisa pagar para ler, esqueceram a Luiza que pasmem ainda está grávida, não sabe sobre a família verdadeira, não fala de casamento com o Gustavo e a Nina não divorciou. O enredo da história é ótimo a intenção foi ótima, a execução foi péssima, a história enrola mto, um vai e volta no passado que chega a dar ânsia, mtos capítulos eu passei direto pq aquele vai e volta aquela explicação dava dor de cabeça, fora que a forma como falam dos personagens até quando falam das roupas, da fisionomia deixam mto a desejar. Agora q história tá focada na Nina, gente que livro ruim...
comecei a ler pq amei como a luiza era esperta e bem resolvida. agora ela tá completamente infantil. o problema dessa história é as pessoas não abrirem a boca pra falar, acham que os outros tem bola de cristal ou são videntes. coisa chata...
787 é o último capítulo mesmo?...
Como pode um marido com Esse Ethan? E Gustavo tá é apaixonado por ela né? não tem nada de irmãzinha aí ciumento que só ele......
Agora começou tudo de novo. Aff. Episódios que demoram pra sair....