Celina tomou um banho morno, trocou de roupa e, com esforço, desceu as escadas.
No canto da cafeteria, Renato acenou para ela.
Celina caminhou até lá.
"Quer beber alguma coisa?" Renato perguntou.
Depois de pensar um instante, ele completou: "Café, não pode."
Na boca de Celina só havia um gosto amargo; além disso, ao voltar para o quarto, ela só tinha tomado um pouco de canja. Então, pediu um suco de laranja e uma fatia de cheesecake.
O olhar de Renato pousou por dois segundos no gesto dela comendo o bolo, antes de voltar para os papéis à sua frente.
"Esse acordo exige não apenas a divisão dos bens adquiridos durante o casamento, mas também a partilha igual dos lucros que Jackson recebeu do Grupo Manhã nos últimos quatro anos. Eu acredito que isso é o que você merece."
Celina engoliu o pedaço de bolo sem sentir gosto, em silêncio.
Renato lhe ofereceu um guardanapo, sorrindo: "Já é adulta e ainda consegue se lambuzar toda só comendo um pedaço de bolo?"
Celina levantou o olhar para ele de repente.
Ela sempre ficava com o canto da boca sujo de creme ao comer bolo, sem perceber; num gesto distraído, até o rosto acabava sujo.
Antônio já lhe dissera exatamente as mesmas palavras tantas vezes; só que, toda vez que dizia, ele mesmo limpava delicadamente o rosto dela com um guardanapo.
O olhar cuidadoso de Celina deixou Renato surpreso por um instante. Ele então largou o guardanapo e disse: "Quando terminar, conversamos."
Celina já não tinha muito apetite mesmo; comia o bolo apenas para repor as energias e tentar reduzir a febre mais rápido.
Só depois de um gole de suco de laranja azedo é que sentiu algum sabor na boca.
O restante do bolo, ela não quis mais.
"Diretor Leite", disse ela, com a voz fria, "mesmo que nenhum advogado aceite meu caso, eu vou me divorciar de Jackson. Não precisa se preocupar comigo."
Renato franziu a testa. "Ele está determinado a te desgastar usando esse casamento. Sem recorrer à Justiça, você acha mesmo que vai conseguir se separar?"

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