— Você... — Nos olhos de Jackson, a fúria quase podia despedaçá-la. — Nós ainda não estamos divorciados!
Celina arqueou a sobrancelha, sorrindo com um charme irresistível.
— Ah, e daí?
— Durante quatro anos, você também não viajou todo mês para Salvador para ficar com sua meia-irmã?
— E você, andando de mãos dadas com ela, voltando juntos para a casa de praia altas horas. Já pensou alguma vez que era casado?
— Bastava ela ligar, e você nem se importava que eu estivesse internada na UTI, quase morrendo, só para correr pra cama dela e ser o "bom irmão".
— Jackson, você usa o laudo do aborto da sua irmã pra tapar a própria cara de pau?
As veias na têmpora de Jackson saltaram, mas ele se esforçou para conter o temperamento.
— Eu nunca toquei na Alice!
Celina não demonstrou interesse.
— Já ouvi, já ouvi, você já repetiu isso tantas vezes. Nunca tocou nela na frente dos outros, afinal, você não tem esse tipo de fetiche de se exibir, né?
— Acabando com sua própria reputação pra se vingar de mim, o que você ganha com isso? — Sua voz saiu rouca.
— Satisfação! — Celina sorriu, como se tivesse sido acariciada por uma brisa de primavera. — Vários tipos de satisfação. Ele é melhor que você, dura mais, tem mais técnica.
— Celina!
As pupilas de Jackson se dilataram de repente. Ele apertou o pescoço dela e a puxou para perto de si.
Celina, mesmo com dificuldade para respirar, manteve um leve sorriso nos lábios.
— Não consegue aguentar? E cada vez que você me machucava por causa da sua irmã? Meu coração era dilacerado, centímetro por centímetro. Acha que eu aguentava?
— Eu... — A fúria nos olhos de Jackson foi aos poucos se apagando, e a mão que a segurava pelo pescoço também foi afrouxando.
Celina, com lágrimas nos olhos, sorriu de maneira triste e cortante.
— Jackson, não venha com essa cara de marido traído e injustiçado. O que eu fiz não chega nem a um décimo do que você fez comigo.
A mão de Jackson caiu, sem forças. Pela primeira vez, o rosto sempre confiante, que nunca se curvava diante de ninguém, mostrava-se quase despedaçado.
Depois de muito tempo, ele conseguiu pronunciar, rouco:
— Quem é esse homem?
Celina soltou um riso frio.
— Você não merece saber.
Ao falar isso, ela tentou sair do carro.
Mas a porta não abriu.

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