O sussurro clandestino de alguns empresários formava uma trama densa que espetava as costas de Celina; os olhares que lançavam a ela eram carregados de curiosidade mórbida e desprezo.
Poucas eram as empresárias presentes, e estas a tratavam com uma frieza distante.
Jessica franziu a testa. "Essas pessoas, afinal, são figuras importantes. Como podem todas usar lentes distorcidas para julgar alguém? Será que perderam o discernimento básico, acreditando em qualquer boato?"
Celina baixou os olhos. "No meio empresarial dominado por homens, qualquer falha moral de uma mulher sempre é exagerada. Não se deixe enganar pelo tom cordial dessas pessoas; nos bastidores, estão prontos para eliminar concorrentes a qualquer momento."
E desde que a Pederneira Verde delas se destacara pela excelência técnica, ambas já eram vistas como rivais a serem temidas.
Por isso, o "escândalo" de Celina não passava de pretexto para ataques calculados.
"Então, por que você não vai embora por agora?" Jessica não queria que ela passasse vergonha.
Celina sorriu de leve. "Se eu sair agora, estarei fazendo exatamente o que alguns desejam."
"É verdade. Nosso objetivo aqui é o Diretor Leite, não eles. Não precisamos dar atenção."
Jessica levou Celina até a área de bebidas e lhe entregou um copo de suco de laranja.
"Evite álcool. Beba isto."
Celina estava prestes a aceitar quando, de repente, um copo de bebida foi derramado sobre seus sapatos.
Ela ergueu o olhar e viu uma mulher de cabelos curtos, de uns cinquenta anos, que, com o queixo erguido, sorria de maneira arrogante. "Desculpe, viu?"
"Não foi nada."
Apesar de perceber o tom provocador, Celina respondeu de forma educada.

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