Celina dirigiu rapidamente em direção ao Hospital 547.
No meio do caminho, recebeu uma ligação de João.
"Senhora, a senhora esqueceu uma assinatura no acordo de ontem."
"Eu te procuro assim que terminar o que estou fazendo", respondeu Celina.
João disse: "Não precisa se incomodar em vir até mim, pode me passar um endereço que eu vou até a senhora para completar."
Para evitar complicações, Celina procurou um shopping no GPS e passou o endereço para ele.
Vinte minutos depois, João chegou pontualmente de carro.
Celina completou a assinatura com rapidez.
João conferiu os documentos cuidadosamente antes de dizer: "O Diretor Tavares teme que, caso lhe aconteça algo, não consiga garantir sua segurança. Estes papéis precisam ser enviados imediatamente para Cidade Estela para entrarem em vigor. Desculpe incomodar, senhora."
"O que aconteceu com a Família Tavares?" perguntou Celina.
João hesitou entre falar ou não, suspirou.
"A morte de Elisa abalou profundamente o Sr. Vinicius. Ele ajudou o Sr. Felipe a conseguir 8% das ações do grupo e entrar no conselho. Agora está persuadindo o conselho a pressionar ainda mais o Diretor Tavares, até tentando incriminá-lo para mandá-lo para a prisão. A matriarca adoeceu por causa disso. A situação está perigosa, o Diretor Tavares está cercado por todos os lados."
Celina baixou os olhos. "Ele é o Jackson, vai conseguir lidar com isso."
João baixou a voz: "A senhora talvez não saiba, mas o Sr. Felipe é cruel. Na época, não hesitou em atirar no próprio pai. Agora, junto com o Sr. Vinicius, estão coordenando ações às claras e às escondidas, empurrando o Diretor Tavares para um beco sem saída. Ele teme não conseguir protegê-la, por isso concordou com o divórcio a contragosto. Ontem, depois que a senhora assinou o acordo, o Diretor Tavares passou a noite inteira sozinho no escritório."
Celina não pôde evitar imaginar ele sentado sozinho sob a luz do abajur.
Na verdade, ele ainda tinha cartas na manga.
No instante seguinte, ela afastou com força qualquer sombra de hesitação que surgia.
"Então, desejo que ele supere logo essa crise."
Antes mesmo de terminar a frase, virou-se resoluta e fechou a porta do carro com um "pum".
……
Quando Celina chegou ao Hospital 547, a Sra. Costa já não estava mais no quarto.
Ela se escondia em um canto sombreado do gramado, claramente apavorada com a possibilidade de ser encontrada.
Considerando que ela não suportaria uma longa viagem, Celina decidiu acomodá-la provisoriamente no Hotel Real Azul.
O local era barulhento, mas discreto, e o quarto foi reservado com o documento de Jessica. Mesmo que alguém descobrisse seu paradeiro, não haveria ligação direta.
Assim que a saúde de Sra. Costa melhorasse um pouco, Celina a levaria à vizinha Cidade Vento para a cirurgia.
Celina trocou todos os móveis do quarto por novos e também comprou panelas e utensílios de cozinha, para que Sra. Costa pudesse cozinhar quando estivesse só.
"No máximo em três dias, Vinicius vai estar te procurando por toda parte. Mas, pelo menos, você precisa repousar na cama e não vai precisar sair."
Celina disse, entregando um celular novo à Sra. Costa.
"Por enquanto, não entre em contato com amigos ou familiares. Eu vou trazer os remédios e o que mais precisar. Qualquer coisa, me procure a qualquer hora."
Sra. Costa ficou tão emocionada que não sabia o que dizer, apenas agradecia sem parar.
Celina sentia culpa em relação a Sra. Costa.
Se não fosse para provocar Elisa, jamais teria usado a gravidez de Sra. Costa para isso, dando a Vinicius a pista de que precisava.

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