"Ti… tio Félix, um amigo precisa de mim, vou sair um instante."
O olhar de Félix pousou sobre ele. Era apenas um olhar comum, mas fez com que Renato imediatamente se enrijecesse.
O tempo pareceu ficar suspenso por alguns segundos.
Félix falou calmamente, sem pressa: "Desta vez não vai pedir nada?"
"Hã?" Renato então entendeu, e balançou a cabeça. "Não precisa, senhor."
A janela do carro se fechou devagar. No instante em que o vidro blindado se encaixou completamente, Renato pareceu ver o canto dos lábios do tio se apertar numa linha fria e dura.
...
Renato levou Dona Costa para uma clínica particular.
O médico, depois de analisar o prontuário de Dona Costa, rapidamente iniciou o tratamento.
"Somente tomar remédios terá efeito limitado, é preciso fazer infusão intravenosa." disse o médico.
Dona Costa ficou visivelmente constrangida. "Mas não me sinto à vontade para sair de casa."
O médico sorriu compreensivo. "Fique tranquila, Sr. Renato já me explicou tudo. Vou providenciar para que uma enfermeira de confiança venha até sua casa todos os dias fazer a infusão. Ninguém vai saber."
Ao ouvir isso, Dona Costa respirou aliviada.
Do lado de fora da sala de infusão, Celina desviou o olhar.
Renato fumava perto da porta dos fundos.
Ela se aproximou. "Você não fumava antes."
Renato imediatamente apagou o cigarro.
"O Dr. Sampaio me forneceu um atestado de amnésia. Até o Samuel foi enganado; você pode confiar plenamente nele."
"Para proteger Dona Marques e o vovô, pretende continuar sem reconhecê-los?" disse Celina.
Renato ficou em silêncio por alguns segundos. "A família Leite é muito complicada, e minha mãe é impulsiva demais. Pelo menos por agora, não posso reconhecê-los."
"O vovô ficou gravemente doente do coração por causa da sua falsa morte. Quantos anos restam para um homem no fim da vida? Espero que nunca se arrependa de tudo isso."
Celina terminou, desviando o rosto, olhando para longe.

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