Era Karina quem estava ligando.
Celina atendeu.
Karina soava um pouco aflita ao telefone.
"O que eu faço, Celina? Acabei de encontrar o Arão, e sem querer fui vista pela Dona Leite. Agora é bem capaz dela já estar desconfiando que a amnésia do Arão é mentira."
Instintivamente, Celina olhou para Félix.
Discretamente, abaixou ainda mais o volume do celular.
"Eu não te avisei para tomar cuidado? Como isso aconteceu?"
Karina chorava do outro lado: "Senti tanta saudade dele…"
Celina não achou conveniente continuar falando. "Calma, não se desespera. Daqui a pouco eu vou te encontrar."
Ela desligou e olhou para Félix.
O homem dirigia com expressão tranquila, aparentemente sem ter escutado nada do que fora dito ao telefone.
"Você estava dizendo… que queria que eu te desse o quê?" Celina perguntou.
Félix ia responder, mas o celular dele tocou — era Leon.
Ele ativou o bluetooth.
"Chefe, encontramos a senhora."
Félix ficou surpreso por um instante.
Leon continuou: "Alguém foi agora há pouco ao Hospital 547 perguntar sobre o resultado da comparação de DNA. A funcionária desconfiou e perguntou para qual data seria, e acabou sendo justamente o dia em que a senhora foi fazer a coleta de sangue. Naquele dia, só havia ela. Conseguimos retê-la lá."
"Certo, entendi."
Félix desligou o telefone, sereno.
O carro foi parando devagar na lateral da rua.
Celina percebeu que ele devia ter algum assunto urgente, então apressou-se em dizer, compreensiva: "Então eu posso descer por aqui."
Félix, sem pressa, tirou uma nota da carteira. "Compre uma água para mim."
Celina ficou surpresa.
Ele ergueu o queixo. "Não sabe fazer compras?"
Celina franziu as sobrancelhas. "Está me mandando?"
Félix assentiu, sorrindo.
Celina achou que estava sendo pretensiosa demais, pegou o dinheiro da mão dele e desceu.
Só quando ela sumiu na entrada do mercado, Félix tirou um maço de cigarros…

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