Mas Celina demonstrou uma frieza absoluta.
"A doença da Srta. Tavares é mesmo estranha. Só o meu marido serve de remédio, e ela só sente os sintomas quando percebe alguma fissura entre nós dois. As lágrimas então, parecem até que têm uma torneira: abre e fecha quando quer."
"Celina!" Uma sombra escura passou pelo olhar de Jackson. "Ela está tentando se desculpar. Como você se tornou tão cruel?"
"Irmão, não fala assim com a cunhada. Por favor, parem de brigar por minha causa."
Alice tentou intervir chorando, enquanto Jackson se abaixou para ajudá-la a levantar.
Celina lançou-lhe um olhar de puro desprezo. "Agora entendi por que o Diretor Tavares andava tão irritadiço comigo ultimamente. Deve ser o perfume de laranja da sua irmã que ele anda carregando."
Jackson ficou atônito.
Celina subiu as escadas, e o som frio e seco dos saltos ecoou pelos degraus de mármore.
Achava que o assunto terminaria ali. Mas, às três da manhã, Celina foi acordada por um choro contido, entrecortado, vindo do parapeito da janela do quarto de hóspedes.
A princípio, Celina quis ignorar, mas os gemidos só aumentavam, evoluindo para ânsias de vômito e barulhos surdos de um corpo esbarrando nos móveis.
O coração de Celina se apertou de repente. Ela sempre duvidara do suposto quadro depressivo de Alice, achava que era pura encenação.
Mas os ruídos agora eram realmente assustadores...
Na dúvida, e sem conseguir negar sua natureza bondosa, ela se levantou, abriu a porta e saiu para ver o que estava acontecendo.
No exato momento em que saiu do quarto, a porta do escritório também se abriu. Jackson apareceu na soleira, vestindo apenas o pijama leve.
Os dois se encararam, quando um estrondo vindo do quarto de hóspedes os fez estremecer. Jackson correu até lá e bateu na porta.
"Alice, abre a porta, rápido!"
Mas não houve resposta.
"Arromba logo. Ela não vai sair, ficar chamando não adianta."
Celina parecia fria como metal sem sentimentos.


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