— Sim, senhor!
Janaina desceu de imediato para organizar as posições.
Félix, por sua vez, subiu para o quarto e vestiu um colete à prova de balas.
Celina o ajudou a colocar a jaqueta por cima.
— Eu vou com você.
Ele apenas caminhou até a estante e abriu um compartimento oculto.
O olhar de Celina fixou-se no fundo do nicho e ela congelou.
Lá dentro, descansava em silêncio um pequeno altar de madeira escura com uma placa memorial onde se lia: "Em memória de Adriana, esposa da Família Leite".
Ela ficou parada, perplexa.
No passado, quando escutara que o avô Palma o obrigara a honrar o acordo, forçando-o a casar com uma placa de uma neta que já havia falecido, Celina imaginou que ele apenas encenara a situação por conveniência. Jamais passou por sua cabeça que ele guardava a lembrança com tamanha reverência dentro do próprio escritório.
— Eu já te encontrei. Isso não tem mais serventia. Quando tiver um tempo, livre-se dela — ele disse.
Em seguida, Félix enfiou a mão debaixo da placa e tirou uma medalha de jade com uma lasca faltando, colocando-a na mão de Celina.
— Guarde isso com a sua vida. Se algo der errado, vá à loja de antiguidades Arca, na Zona Norte, e peça para restaurarem essa peça. Alguém vai te ajudar imediatamente.
Ao apertar o amuleto frio entre os dedos, Celina sentiu a ranhura incompleta, e foi como se uma mão invisível esmagasse o seu coração.
— Você sabe o quanto a noite de hoje vai ser perigosa. Você acha mesmo que eu vou conseguir ficar sentada em casa, esperando por notícias suas?
— Celina...
— Você tem duas opções — ela cortou, agarrando-o pelo colarinho. — Ou você me leva com você, ou eu vou sozinha. A escolha é sua.
Félix a encarou por um longo tempo antes de soltar um suspiro leve. Ele buscou outro colete balístico e o entregou a ela.
— Vista isso. E não desgrude de mim.
Era madrugada avançada nos arredores da Mansão Palma.
Os dois não entraram na propriedade. Ficaram ocultos dentro de um sedan preto discreto, estacionado na esquina do lado oposto da rua.
Imersa na escuridão do sono, a Mansão estava silenciosa de um jeito quase assustador.
— Se nem Gustavo nem Guilherme estão se mexendo, quem é que vem nos visitar esta noite? — Celina murmurou, sem tirar os olhos do portão.
Félix não respondeu, focado em perscrutar as sombras da rua.
De repente, a voz de um dos homens crepitou no rádio no ouvido de Janaina.
— Tivemos movimento!
Naquele exato instante, nos fundos da Mansão Palma.

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