“O que houve?” Margarida perguntou diretamente.
Fernanda demonstrou constrangimento no rosto. “É que a filha de uma irmã minha, ou seja, minha sobrinha, foi diagnosticada com leucemia e precisa de um transplante de medula óssea. Sua medula é compatível. Minha irmã está disposta a lhe dar um milhão de reais. Se você salvar a filha dela, ela vai ser eternamente grata.”
“É minha sobrinha de sangue, irmã do Firmino, ou seja, sua irmã também. Não é de sangue, mas é como se fosse. Você precisa ajudar.”
Ela tirou de sua bolsa um Documento de Ordem de Crédito no valor de um milhão de reais.
“Este é o dinheiro, pode ficar com ele.”
Margarida recusou, empurrando de volta. “Eu não fiz teste de compatibilidade com ela. Como vocês já sabem que posso salvá-la?”
Fernanda respondeu com culpa. “Quando você fez o exame de pré-natal da última vez, mamãe pediu ao médico, sem você saber, para fazer o teste. Na época, nem pensávamos que você seria compatível, era só para tentar.”
Era só para tentar.
E o resultado foi que ela era compatível.
Margarida, vendo o falso ar de sinceridade da outra, não conseguiu conter uma risada.
Ela pensava que a levaram ao pré-natal só para fazer exame de DNA e descobrir o sexo do bebê, mas o principal era outro.
A armadilha já estava montada fazia tempo, esperando que ela caísse.
Fernanda ainda tentou colocar o Documento de Ordem de Crédito em suas mãos, mas Margarida jogou-o no chão. “Meu pai também veio me pedir para doar medula para a filha dele. Isso virou um escândalo, você deve saber. Eu recusei.”
Fernanda assentiu. “Eu sei, afinal, ela nem é sua irmã de sangue. É normal você não se importar. Ela nem é filha do seu pai de verdade.”
“Sua sobrinha também não é minha irmã de sangue. Eu também não quero me envolver.” As palavras diretas de Margarida fizeram Fernanda fechar a cara imediatamente.
“Ninguém está pedindo a sua vida, não vai lhe causar danos físicos, ainda vai ganhar um milhão como gratidão. E ainda é a irmã do Firmino, Margarida. Se você recusar, não vai pegar bem.”
Margarida respondeu com voz serena. “Você sabe que estou grávida.”
Fernanda minimizou. “Gravidez não atrapalha, não prejudica o bebê.”
“Você pode garantir isso cem por cento?”
De repente, Fernanda ficou muda, sem palavras.
Margarida olhou para o homem que acabara de entrar. “Você também quer que eu ajude sua irmã? Se não podem garantir cem por cento, posso perder o bebê.”

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