“Ele também prometeu para mim, que quando eu quisesse, poderíamos ter outro.”
O rosto de Fernanda ficava cada vez mais sombrio com o que Margarida dizia, até mesmo um certo peso se instalava em sua expressão.
Será que, como Andreia mencionara, o acidente de carro tinha deixado sequelas e ela não podia engravidar? E, por não ter coragem de contar diretamente, preferia dizer que não queria filhos?
Agora, estando cega e com amnésia, ela certamente tentaria se apegar ao filho com todas as forças. Se não pudesse engravidar, não teria como ajudar a família Gonçalves a continuar sua linhagem. O filho era o único herdeiro direto da família Gonçalves, seria necessário garantir um sucessor que pudesse assumir o Grupo Gonçalves no futuro.
“Margarida, Firmino já te levou para fazer um check-up geral?”
Margarida conseguia adivinhar mais ou menos o que ela pensava e balançou a cabeça. “Não, mãe, a senhora quer me levar?”
“Sim, vou te levar para fazer um exame. Se fizermos um check-up completo, todos ficaremos mais tranquilos.” Fernanda mostrava certa urgência. “Vamos ainda hoje.”
Ela puxava Margarida, tentando fazê-la levantar.
Margarida permaneceu sentada e, sorrindo suavemente, afastou a mão da mãe. “Vamos depois, mãe. A senhora comentou que tem gente espalhando boatos por aí. São quais dos seus amigos? Pode me levar para conhecê-los?”
Fernanda franziu o cenho. “A saúde é o que importa. Esse tipo de exame deve ser feito o quanto antes.”
“Esses comentários dos amigos, a senhora também não devia se importar. Eles só falam por falar.”
Margarida continuava sem se mexer, arqueando levemente as sobrancelhas. “Se a senhora pede para eu não me importar, então vocês também não deviam se importar. Deixe que falem.”
Fernanda não conseguia convencê-la e, irritada, sentou-se pesadamente no sofá, com a voz carregada de desagrado. “Vocês dizem para não ligar, mas é porque não falam na frente de vocês. Sempre falam tudo para mim. Como quer que eu não ligue?”
“Todos querem ter netos, só na nossa casa, depois de cinco anos de casados, ainda não temos filhos. Não é à toa que dão motivo para falarem de nós.”
Enquanto falava, expressava o descontentamento que sentia, soltando um suspiro pesado pelo nariz. “Preocupada com sua saúde, quero te levar para fazer exame, mas nem agradece. Se não fosse minha nora, eu nem me importaria.”
Margarida parecia não notar o desagrado da sogra.

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