Os amigos ao redor, em maior ou menor grau, sempre mantiveram algum tipo de relação comercial. Quando alguém fazia uma brincadeira, dizendo que “não se deve bater em quem sorri”, muitas vezes só restava aguentar calado.
Ela escreveu que, se Margarida realmente fosse discutir pessoalmente com aquelas pessoas, teria envergonhado completamente a família Gonçalves!
“Margarida, são só algumas palavras, não leve para o lado pessoal, eu também não me importo. Não vá atrás delas, somos todos amigos, não é bom criar desavenças.”
Margarida piscou os olhos, inocentemente. “Eu também não quero ver a senhora triste, também tenho medo de ofender as pessoas. Mas, se for para defender a senhora, eu aceito passar por isso de bom grado.”
Fernanda, ao ver a sinceridade no olhar dela, sentiu-se até um pouco comovida.
Ela acompanhou Margarida durante uma refeição e depois foi embora. Ao sair, lembrou-se da saúde dela. “Margarida, amanhã vou te levar ao hospital para fazer um check-up completo. Mamãe só quer cuidar da sua saúde, espero que entenda.”
Margarida sorriu levemente, com doçura. “Entendo, obrigada pela preocupação, mamãe. Isso me aquece o coração.”
O canto da boca de Fernanda estremeceu. Comparando com a Margarida de antes, a Margarida de agora parecia-lhe uma estranha.
Quando Fernanda saiu, o sorriso de Margarida desapareceu, dando lugar a uma expressão fria.
Primeiro pressionavam para que ela engravidasse, depois queriam que ela fizesse um check-up completo. Estariam preocupados que o acidente de carro tivesse lhe tornado incapaz de engravidar? Não poderia dar descendentes para a família Gonçalves.
Se ela não pudesse engravidar, a família Gonçalves exigiria que se divorciasse de Firmino?
Sentada, Margarida refletiu longamente. Pegou o celular na mesa, subiu as escadas, trancou-se no quarto e, usando o assistente de voz, pediu para ligar para Norberto.
“Margarida.” Norberto atendeu, a voz grave. “O que houve?”
Margarida apertou o celular, hesitante em falar.
Ele já a tinha ajudado muito, mas agora precisava pedir mais uma vez.
O silêncio no telefone fez Norberto franzir o olhar. “O que foi? Aconteceu alguma coisa?”
“Não.” Margarida respondeu.
A voz dela era estável, sem nervosismo ou medo. Norberto percebeu que nada grave havia acontecido e, refletindo sobre o silêncio dela, logo entendeu. “Se precisar de minha ajuda, não tenha vergonha, pode falar.”

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