O sorriso de Andreia quase não se sustentava mais; seu coração estava em completa confusão.
Ele já sabia que Margarida estava grávida?
Estava cuidando dela com tamanha delicadeza.
Margarida não recusara o cuidado dele.
Todos esperavam vê-la passar vergonha, mas, no fim, foram eles que se tornaram motivo de chacota.
Não importava a intenção de Firmino, aquilo não era ruim para ela.
Quando o garçom trouxe as cadeiras, Firmino sentou-se ao lado de Margarida.
Ao sentar, apoiou a mão esquerda no ombro da mulher, puxando-a levemente para junto de si.
“Da próxima vez que eu for a um encontro, levo você comigo, está bem?”
“Não precisa.” Margarida respondeu friamente.
Firmino, porém, agiu como se não tivesse ouvido a resposta dela, continuando a falar por conta própria.
“Levando você, tudo o que eu encontrar ou fizer, você irá saber.”
Ainda tentava encontrar justificativa para sua infidelidade.
Margarida não se dignou a responder. Ela tinha provas concretas em mãos.
Todos ali percebiam que ele estava tentando agradá-la sem ser correspondido, e, surpresos, achavam que ele não aguentaria por muito tempo.
Mas Firmino continuava a cuidar de Margarida com atenção, sem se importar se ela queria ou não sua companhia: servia água, descascava camarões, colocava comida em seu prato, tudo de forma impecável.
Andreia, observando tudo, ficou incomodada, seu rosto assumiu um tom esverdeado.
Ela organizara aquele encontro não para presenciar demonstrações de afeto entre Firmino e Margarida.
Quando o peixe apimentado chegou à mesa, Andreia pegou um pedaço, levou à boca e logo cuspiu, apressando-se a cobrir a boca com um guardanapo, enquanto se engasgava e corria, pálida, ao banheiro.
Firmino notou a reação dela, interrompendo seus gestos e lançando um olhar preocupado para a porta.
Observando tudo atentamente, Margarida segurou a mão dele e disse: “Não precisa descascar mais, já está suficiente, ainda tenho alguns para comer.”

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