Ela até achou que tivesse ouvido errado.
“Firmino, o que você disse? Não ouvi direito agora há pouco.”
Firmino, sem demonstrar qualquer emoção, repetiu: “Tire a criança.”
Ele falou um pouco mais devagar, de modo que Andreia pôde ouvir cada palavra de forma cristalina.
Ela ficou paralisada, sem acreditar que palavras tão frias pudessem sair da boca dele.
Afinal... antigamente, Firmino se preocupava até quando ela se machucava sem querer, sempre temendo que ela sentisse dor.
O aborto não só causaria danos ao corpo, como também seria extremamente doloroso.
Ele não se importava?
O sangue foi sumindo do rosto dela, e lágrimas grossas escorreram de seus olhos; Andreia apenas o encarava, triste e magoada, sem dizer uma palavra.
Firmino permaneceu inflexível, com uma postura surpreendentemente firme.
“Eu tenho esposa, ela vai ter filhos. Você também vai se casar um dia. Não pode ficar com a criança.”
O homem ficou parado à frente dela, sem qualquer gesto de consolo ou palavras de conforto, analisando friamente a situação.
Ele considerava Margarida sua esposa, planejava ter filhos com ela e ainda esperava que Andreia se casasse com outro homem.
Foram dois golpes consecutivos; Andreia ficou pálida, as lágrimas escorrendo sem parar. Não parecia mais que buscava piedade; dessa vez, chorava de verdadeiro sofrimento.
O som dos soluços incomodou Firmino sem explicação.
“Você não disse que não me causaria problemas?”
Andreia apertou os dedos, rapidamente pensando em uma solução, e murmurou:
“Eu realmente não esperava que você fosse assumir qualquer responsabilidade por mim ou pela criança. Pretendia criar esse filho sozinha.”
O olhar de Firmino se tornou cortante, tão escuro que deixou Andreia nervosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Eu Sou Apenas Uma Substituta