Leôncio abraçou-a com alegria, apertando-a com força entre os braços.
Margarida não retribuiu o abraço, apenas olhou na direção da porta.
Não precisou esperar muito. Uma silhueta imponente entrou pela porta a passos largos, com um olhar frio e penetrante.
Firmino apareceu com o rosto fechado, afastou Leôncio e puxou Margarida para junto de si, seus dedos longos e bem definidos seguraram o braço dela, as veias saltando discretamente no dorso da mão, e sua expressão era tão sombria quanto uma tempestade prestes a desabar.
“Qual é a relação entre vocês dois?”
Andreia, que seguia logo atrás, olhou os dois surpresa e comentou de maneira insinuante ao lado.
“Margarida, você é uma mulher casada, como pode ficar abraçada com outro homem assim, em público?”
Era o que se esperava.
Um brilho gelado surgiu no olhar de Margarida.
O súbito interesse de Leôncio por ela pretendia fazer com que Firmino desconfiasse de traição.
“Ele é apenas um Leôncio para mim, que relação poderia haver? Temos uma amizade absolutamente normal.”
Firmino manteve os lábios cerrados numa linha fina, fitando-a com intensidade, como se tentasse decifrar a veracidade das palavras dela.
Andreia apontou para as flores sobre a mesa, com um tom irônico: “Firmino, eu já imaginava que você estava enganado sobre a minha irmã. Leôncio pode dar flores para Margarida, pode abraçá-la, é só uma amizade pura entre os dois.”
Suas palavras só serviram para jogar mais lenha na fogueira, e o rosto de Firmino ficou ainda mais gelado.
“Homem e mulher podem ter amizade pura?”
Andreia, satisfeita com a discórdia que causara, desapareceu em silêncio.
Margarida achou graça da situação.
Se ela não podia ter amizade pura, Firmino e Andreia podiam?

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