Helena olhou para a foto de perfil dele e o achou meio esquisito hoje.
Nesses últimos dois anos, quantas vezes ela já não tinha ido a retornos médicos?
As vezes em que ele a acompanhou podiam ser contadas nos dedos.
Já que ela ia de qualquer forma, deixava por conta dele. Tê-lo junto não seria de todo inútil, ele poderia pagar a conta, por exemplo.
Vendo que Helena não recusou, Arthur esboçou um sorriso no canto dos lábios, pegou as chaves do carro em cima da mesa e se preparou para ir para casa.
Ele mal saiu da sala e o celular tocou.
Era Vivian Linhares ligando.
Arthur franziu a testa e, pela primeira vez, não atendeu nem recusou, deixando o telefone tocando.
O toque parou, mas quando ele entrou no elevador e chegou ao térreo da empresa, o celular começou a vibrar sem parar novamente.
Ele estalou a língua e por fim atendeu: — O que foi?
Logo veio o choro assustado de Vivian do outro lado da linha.
— Arthur, eu bati o carro em alguém sem querer, venha logo, estou sozinha e não consigo resolver isso...
— Arthur, a família da pessoa está muito exaltada, estou com medo de sair do carro e me baterem!
Dava para ouvir na ligação um homem batendo no vidro do carro e xingando, o que fez Vivian soltar outro grito.
— Me manda a localização, estou indo para aí.
No caminho para encontrar Vivian, Arthur mandou uma mensagem para Helena.
[Surgiu um imprevisto na empresa, amanhã eu te acompanho no retorno.]
Helena olhou para a notificação no WhatsApp e desligou a tela com tranquilidade.
Em seguida, trocou de roupa e foi sozinha de carro até o hospital.
Já fazia muito tempo que ela não esperava que Arthur cumprisse suas promessas.
Hospital.
No retorno, Helena fez uma bateria de exames e, enquanto aguardava os resultados do raio-X do pulmão, sentiu uma cólica no baixo ventre.

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