O esquema de cores do quarto fez Helen hesitar por um instante.
Era um ambiente dominado por tons de rosa e branco. Rendas delicadas pendiam pelas paredes e janelas. A cama, envolta por um dossel rosa-claro, parecia saída de um conto de fadas. Pelúcias macias e coloridas ocupavam todos os cantos.
Helen ficou atônita.
Quase conseguia ver bolhas cor-de-rosa flutuando no ar.
Estava evidente que a decoração fora feita com muito esmero.
Era o tipo de quarto com que muitas garotas sonhavam.
— O que foi, Helen? Não gostou? — perguntou Rebecca, aflita com o silêncio da filha. — Achei que toda menina gostasse dessas coisas...
— Eu gostei — respondeu Helen, com simplicidade.
O rosto de Rebecca se iluminou, e ela segurou a mão da filha, conduzindo-a com entusiasmo para dentro. — Que bom que gostou! Helen, vem ver. Este aqui é o seu closet. Seu pai e eu pesquisamos bastante. Escolhemos roupas e acessórios que combinam com meninas da sua idade. Veja se gosta!
Ela abriu uma porta discreta na lateral do quarto.
Lá dentro, revelava-se um espaço luxuoso que lembrava o interior de uma boutique de alto padrão.
Roupas, sapatos, bolsas e joias — tudo impecavelmente organizado e disposto.
O olhar de Helen se fixou por um momento em algumas peças. — Modelos da Blancova?
— Helen, você também gosta da Blancova? — Rebecca sorriu, surpresa e feliz. — Sim! São todas da coleção mais recente!
Cinco anos antes, Hillary Blanc, designer da Blancova, conquistara o maior prêmio de uma prestigiada competição internacional de moda. Recusando propostas de grifes consagradas, ela voltou ao país para fundar sua própria marca: Blancova.
Cada peça era desenhada pessoalmente por Hillary.
Com seu talento reconhecido mundialmente e um estilo marcante, suas criações rapidamente se tornaram símbolos de elegância e sofisticação.
A Blancova, mesmo com ritmo lento de produção, se tornou objeto de desejo entre socialites e milionárias, que disputavam cada lançamento a qualquer custo.
Em apenas cinco anos, firmou-se como uma das marcas de luxo mais cobiçadas do mundo.
A escassez a tornava ainda mais valiosa — e agora, Helen estava diante de um closet repleto de peças da Blancova.
Era uma prova clara da riqueza e influência dos Walcott.
O olhar de Helen repousou por um instante sobre o logotipo familiar, e ela assentiu.
— Uhum. Eu gostei.
É claro que gostava.
Afinal, eram suas criações. Cada uma daquelas peças era uma de suas obras queridas.

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