Diante dela, Renato permaneceu em silêncio, ouvindo tudo o que Letícia despejava, cada palavra carregada de raiva, orgulho ferido e uma pontada de mágoa.
O rosto dela, corado pela irritação, parecia em chamas.
Ele, por sua vez, não soube o que responder.
No fundo, tudo o que dissera antes era verdade.
Não tinha inventado nada.
Mas não imaginara que suas palavras a deixariam tão furiosa.
Chegou a pensar em explicar, em tentar fazê-la entender, mas a frase morreu na garganta.
Escolheu o silêncio.
Porque, mesmo que falasse, Letícia não acreditaria.
Diante dele, Letícia viu aquele mutismo como confirmação.
Achou que tinha acertado precisamente, que ele estava calado por não ter como rebater.
E isso a deixou ainda mais irritada.
Os dois ficaram assim, imóveis, o ar entre eles pesado e tenso, como uma corda prestes a se partir.
Depois de alguns segundos que pareceram uma eternidade, Renato deu um passo para trás e começou a se afastar.
Mas, mal ele virara o corpo, a voz de Letícia cortou o ar pelas costas dele, alta e trêmula:
— Renato! Na verdade, você também não é lá grande coisa! Eu não sou nenhuma desesperada por você, viu?!
As palavras saíram em tom de desafio, mas tremiam de emoção.
Ela mesma percebeu o ridículo do que dizia e calou.
Porque, convenhamos... Não havia muita coisa em Renato que ela pudesse criticar.
Família? Irretocável.
Carreira? Brilhante.
Aparência? Altura, rosto, postura, tudo perfeito demais.
Letícia ficou muda por um segundo, os lábios entreabertos, o orgulho lutando contra o desespero.
E, por dentro, já começava a vasculhar, freneticamente, alguma falha, algum defeito, qualquer fraqueza que pudesse usar para diminuir aquele homem que, sem querer, a fazia sentir-se tão pequena.
E, acredite, Letícia acabou mesmo encontrando algo para atacar.
— Vive com essa cara de peixe morto, como se todo mundo te devesse uma fortuna! — Começou, o tom subindo a cada palavra. — Frio! Travado! Um robô sem um pingo de charme! E mais, totalmente insensível, apático, sem nenhuma sutileza! Ah, e tem mais uma coisa... — Ela inspirou fundo e gritou, de uma vez. — Beija mal pra caramba! Só sabe morder, feito cachorro faminto! Treina mais, tá? Pra não passar vergonha com a sua namorada depois!
As palavras ecoaram pelo jardim como tiros.
Letícia despejou tudo de uma vez, o rosto vermelho, o peito arfando.
E, estranhamente, quando terminou, sentiu uma pontada de alívio, como se tivesse finalmente jogado fora um peso que carregava havia dias.
De costas para ela, Renato parou.
Os ombros ficaram rígidos.
Os lábios se apertaram, sem emitir som algum.
Por um instante, o tempo pareceu congelar.
O vento cessou, e Letícia sentiu o sangue gelar.
Aquela descarga de raiva começou a se transformar em medo.
“Meu Deus... O que foi que eu acabei de dizer?”
Esperava que ele se virasse e a fuzilasse com o olhar, ou que retrucasse com frieza cortante.
Mas não.
Dois segundos depois, Renato simplesmente foi embora.
Sem olhar para trás.
Ou seja, aquele “quase” escondia mais coisa do que todos imaginavam.
Não tinha sido um simples mal-entendido, ele realmente a havia empurrado contra si e a beijado.
Karine ficou ali, digerindo a revelação, o olhar perdido no vazio.
Então era isso... O beijo maldito.
Agora tudo fazia sentido.
Suspirou, balançando a cabeça e murmurando para si:
— Tadinha da moça... E corajosa pra caramba também.
Enquanto isso, lá fora, o jardim voltara ao silêncio.
Letícia ainda estava parada no mesmo lugar, sozinha.
A raiva havia passado, deixando no peito apenas um vazio incômodo e um leve arrependimento.
Ela olhou para o portão por onde Renato havia desaparecido e sentiu o estômago revirar.
Não era medo exatamente, mas uma sensação de ter ido longe demais.
“Será que ele vai querer se vingar?” pensou, com um frio na barriga.
Afinal, ninguém ousava falar com Renato daquele jeito.
E ela não só o enfrentara, tinha o humilhado.
E quanto àquele gesto de Karine?
Um polegar levantado.
Teoricamente um elogio...
Mas Letícia não conseguia se livrar da sensação de que havia ironia ali.
Talvez um “boa sorte, você acabou de cavar a própria cova”.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Faltam 30 dias para eu ir embora — Sr. Gabriel perdeu o controle
É UM DESRESPEITO AO LEITOR ESTORIAS SEM FINAL!A PLATAFORMA DEVERIA SÓ LANÇAR O LIVRO QUANDO TIVESSEM ELE CONCLUIDO....
Estou achando que é mais uma história sem final...
10 dias sem colocar capítulos! Um desrespeito!...
É estranho que no app da BueNovela consta como concluído e vai apenas até o capítulo 1100 também...
Está demorando muito para atualizar...
Aparece concluído no capítulo 1100 mas não faz sentido pois ainda há muitas coisas acontecendo. Leti♥Rex meu casal...
Parou de postar capítulos. Que feio! Desestimulo total! Já não bastava a enrolacao agora nem posta mais!...
Parou por que. Atualiza!...
Atualiza!...
Parou de postar os capítulos por que???...