— Não importa o que aconteça, ele era seu pai! — disse o pai de Alexandre, com o coração partido.
Serena zombou.
— Eu não sou filha biológica dele.
— Ele te criou!
— Quem me criou foi a minha mãe!
— Sua ingrata!
Serena fingiu estar ofendida e se virou para Felipe, que estava um pouco mais longe.
— Marido, ele está me xingando!
Felipe, muito cooperativo, jogou a bituca de cigarro no chão e a esmagou com força sob o pé.
— Meu marido está dizendo que, se vocês continuarem com essa conversa fiada, ele vai fazer com que todos vocês não tenham mais vez em Cidade Lumia! — declarou Serena, arrogantemente.
A terceira tia da Família Paiva não aguentou mais.
— Você está se aproveitando do poder alheio!
— Gostei da expressão. É exatamente isso que estou fazendo. O que você vai fazer a respeito? — Serena continuou, com um ar de triunfo.
Para proteger o emprego de Alexandre, a Família Paiva teve que ceder.
Mover um túmulo era um grande problema, mas grandes problemas também podiam ser resolvidos rapidamente.
Com expressões desoladas, cada um da Família Paiva pegou uma pá e, em pouco tempo, desenterraram a urna com as cinzas de Saulo.
No instante em que viu a caixa, as memórias que Serena havia reprimido com força no fundo de seu coração vieram à tona.
“Eu não sou seu pai! Você é uma bastarda que sua mãe teve com outro homem!”
“Ainda se atreve a correr? Eu vou te matar!”
“Tire a roupa agora...”
Serena se forçou a sair daquelas lembranças. Seus olhos estavam vermelhos, ela respirava com dificuldade e seu corpo balançava, prestes a cair...
No momento seguinte, Felipe a envolveu em um abraço forte.
A Família Paiva foi embora cabisbaixa, carregando a urna de Saulo. Serena levou um tempo para se acalmar e, então, abriu um sorriso e olhou para Felipe, orgulhosa.
— Eu sou incrível, não sou?
Felipe primeiro beijou sua testa suavemente e depois sorriu.
— Incrível!
Serena pensou em algo e caiu na risada.
— Na verdade, eles queriam me chamar de abusada por usar o seu poder, mas não tiveram coragem.
— Senhorita Luz, há quanto tempo! — O Diretor Ochoa se levantou para cumprimentá-la.
Serena pediu que ele se sentasse.
— O senhor deve estar esperando alguém, não vou incomodar.
— Eu sou o convidado — disse o Diretor Ochoa, balançando a cabeça. — Mas já estou esperando aqui há quase meia hora.
Serena estalou a língua.
— Que falta de pontualidade da outra parte.
— É que a pessoa tem muita moral, né? Afinal, é o herdeiro da Orion.
Serena ficou surpresa. A pessoa que havia marcado com o Diretor Ochoa era Xavier Marques!
Depois que ela pediu demissão, seus clientes importantes teriam que ser passados para outra pessoa. Um cliente do nível do Diretor Ochoa ser assumido por Xavier era razoável, mas marcar um encontro e deixá-lo esperando era inaceitável.
— Depois que você saiu, a Orion nunca mais foi a mesma — disse o Diretor Ochoa com desdém.
Serena não via motivo para defender a Orion ou Xavier, então trocou mais algumas palavras com o Diretor Ochoa e foi para sua mesa reservada.
Ela não precisou esperar muito. Logo, a Sra. Cardoso chegou.
A Sra. Cardoso era a esposa do dono da loja de eletrodomésticos que a Sol Dourado queria comprar. Serena havia recorrido a vários contatos para conseguir falar com ela.
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